A possibilidade de o Brasil emitir seus primeiros Panda Bonds voltou à pauta nesta terça-feira (9), durante reuniões econômicas e financeiras realizadas em Pequim entre autoridades brasileiras e chinesas. A informação foi divulgada pela imprensa local.
O tema foi discutido tanto na 12ª Reunião da Subcomissão Econômico-Financeira da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) quanto em encontros entre representantes dos bancos centrais dos dois países.
A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para aprofundar a cooperação financeira entre duas das maiores economias do Sul Global. A estratégia também está ligada às intenções de países do BRICS de reduzir a dependência do dólar no comércio exterior.
Mas o que exatamente são os Panda Bonds e por que eles despertam tanto interesse?
Os Panda Bonds são títulos de dívida emitidos por governos, empresas ou instituições estrangeiras dentro do mercado financeiro chinês e cotados em yuan, a moeda da China.
Na prática, funcionam como um empréstimo, ou um investimento. O emissor vende títulos para investidores chineses, recebe recursos em yuan e se compromete a devolver o valor captado acrescido de juros em uma data futura.
Se o Brasil concretizar a operação, será como se o governo brasileiro "pegasse dinheiro emprestado" diretamente de investidores da China, em vez de recorrer apenas aos mercados financeiros tradicionais, como do Fundo Monetário Internacional (FMI), sob comando do Ocidente.
Funcionamento do mecanismo
Imagine que o governo brasileiro queira captar recursos no exterior para investimentos locais ou mesmo para fins de reserva, como controle cambial.
Em vez de emitir títulos em dólar para investidores de Nova York ou Londres, ele lança títulos em Pequim.
O processo, de forma simplificada, seria:
O Tesouro Nacional emite os títulos; investidores chineses compram esses papéis; o Brasil recebe os recursos em yuan; ao longo dos anos, paga juros aos investidores; no vencimento, devolve o valor principal da operação.
É exatamente o mesmo mecanismo utilizado quando governos emitem títulos públicos em outros mercados, mesmo o interno, com instrumentos como a Letra do Tesouro Nacional (LTN).
Diversificação
Hoje, boa parte das operações financeiras internacionais ainda gira em torno do dólar. Isso significa que países, empresas e investidores ficam mais expostos às oscilações da moeda norte-americana e às condições do mercado financeiro dos Estados Unidos.
Trata-se de um objetivo do BRICS reduzir a dependência da moeda de Washington. Rússia e China, por exemplo, já negociam quase todas suas trocas comerciais em yuan ou rublos.
Lado chinês
A operação também interessa a Pequim. Nos últimos anos, a China tem buscado aumentar o uso internacional do yuan e reduzir a predominância do dólar em parte das transações globais.
Quando governos e empresas estrangeiras emitem títulos em yuan, a moeda chinesa passa a circular mais nos mercados internacionais.