Árbitro proibido de entrar nos EUA fala pela primeira vez após veto na Copa

Omar Abdulkadir Artan, da Somália, disse que tinha visto e documentos válidos, mas foi interrogado por 11 horas em Miami e enviado de volta a Istambul.

O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan afirmou que teve o maior sonho de sua carreira interrompido após ser impedido de entrar nos Estados Unidos para participar da Copa do Mundo. A informação foi publicada nesta terça-feira (9) pelo The New York Times (NYT).

Artan estava entre os 52 árbitros selecionados para o torneio e poderia se tornar o primeiro somali a apitar uma partida de Copa do Mundo. Segundo ele, a participação no Mundial teria um significado para a Somália.

"Estou muito, muito decepcionado", disse Artan ao jornal. "Sou apenas um árbitro tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, de chegar à Copa do Mundo".

O árbitro chegou ao Aeroporto Internacional de Miami no sábado (6), cinco dias antes da abertura do torneio, mas foi separado por agentes de fronteira e interrogado durante a noite. "Eu tinha os documentos certos e tudo", afirmou. "Eu tinha o visto certo".

Segundo Artan, a entrevista migratória durou 11 horas. Depois, ele foi levado a uma cela, onde permaneceu por mais algumas horas antes de ser colocado em um voo de volta a Istambul. O árbitro afirmou que não recebeu explicação sobre a recusa.

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA disse ao NYT que o caso passou por inspeção adicional e que Artan foi considerado inadmissível por "preocupações de verificação".

"Acho que eles têm um problema com meu país", afirmou o árbitro, que deve retornar a Mogadíscio nesta quarta-feira (10).

A FIFA informou que não participa dos processos migratórios dos países-sede e confirmou que Artan não poderá atuar na Copa.