Estudo revela que vulcão adormecido há 100 mil anos acumulava magma e pode representar risco

Cientistas alertam que períodos prolongados sem erupções não devem ser interpretados como garantia de segurança.

Um estudo internacional liderado pela Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH), publicado em 22 de abril, revelou que o vulcão Methana, na Grécia, que parecia estar inativo há mais de 100 mil anos, na verdade vinha acumulando magma de forma quase contínua em profundidade.

Para reconstruir a história interna do vulcão, os pesquisadores analisaram mais de 1.250 cristais de zircão formados nos reservatórios magmáticos ao longo de 700 mil anos. Esses minerais funcionam como caixas-pretas naturais, registrando quando e em quais condições se cristalizaram. Os dados mostram períodos de atividade eruptiva intercalados com uma fase excepcionalmente longa de silêncio, superior a 100 mil anos.

O estudo indica que o magma que alimenta a câmara superior de Methana é incomumente rico em água devido à subducção de uma placa tectônica que arrasta sedimentos oceânicos e fluidos para o manto terrestre. À medida que esse magma ascende pela crosta, ele se satura de água, forma bolhas e cristaliza, tornando-se mais viscoso e perdendo mobilidade.

Modelos físicos e termodinâmicos mostram que esse processo pode desacelerar sua ascensão até impedir que alcance a superfície. Assim, um maior aporte de magma em profundidade pode resultar, paradoxalmente, em menos erupções.

Uma ameaça subestimada

Os autores apontam que esse tipo de magma altamente hidratado pode ser comum em muitos vulcões localizados em zonas de subducção ao redor do mundo, do Mediterrâneo ao Círculo de Fogo do Pacífico. A principal consequência, destacam, é que longos períodos sem erupções não devem ser interpretados como garantia de segurança.

O estudo alerta que essa dinâmica tem consequências diretas para a gestão do risco vulcânico. Muitos vulcões que não registram erupções há dezenas de milhares de anos são classificados como extintos e recebem pouca ou nenhuma vigilância, apesar de poderem continuar acumulando magma e representar uma ameaça subestimada.

Os cientistas instam as autoridades de países com numerosos vulcões de subducção — entre eles Grécia, Itália, Indonésia, Filipinas, Japão e vários países do continente americano — a revisar o status dessas estruturas vulcânicas e reforçar seu monitoramento por meio de redes sísmicas, medições de deformação do terreno, monitoramento de gases e estudos geofísicos capazes de fornecer imagens detalhadas dos reservatórios magmáticos ocultos.