O Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou em uma entrevista com NZZ publicada no domingo (7), que a Europa deveria voltar a falar com a Rússia e seu presidente, Vladimir Putin.
"Acho que devemos conversar com Putin", declarou o presidente.
Stubb observou que as relações nunca mais serão as mesmas de antes do início da operação militar especial.
"Mas deve haver uma relação com a Rússia. Digo isso como chefe de Estado de um país que tem uma fronteira de mais de 1.300 quilômetros com a Rússia. Essa fronteira permanecerá. Teremos que ter relações políticas em algum momento", afirmou.
"Devemos fazer isso junto com os americanos, mas ao mesmo tempo nos perguntar se a política externa americana em relação à Rússia e à Ucrânia atualmente responde aos interesses da Europa. Se não — e em alguns aspectos não serve — então devemos intervir. Mas de forma coordenada", afirmou.
Stubb sugeriu que "idealmente, o primeiro passo deveria vir da União Europeia e, caso isso falhe, do E3 — França, Alemanha e Reino Unido".
O presidente foi ainda questionado se acreditava que a Rússia representava uma ameaça para os países da OTAN. "Não", respondeu Stubb.
"As pessoas só precisam se acalmar ", acrescentou.
- Depois de mais de quatro anos do conflito entre Rússia e Ucrânia, e sem nenhum progresso do regime de Kiev no campo de batalha à vista, a Europa está entrando em uma fase de sondagem diplomática com a Rússia.
- O chanceler alemão, Friedrich Merz, que anteriormente demonstrava reservas quanto ao diálogo com Moscou, reconheceu que a União Europeia precisa "encontrar um equilíbrio novamente com nosso maior vizinho europeu".
- Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni defendeu que o bloco evite contatos individuais "aleatórios" e nomeie um enviado especial para conduzir o processo.
- Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou ainda em dezembro de 2025 que Moscou nunca rejeitou o contato direto e que "eles podem simplesmente ligar para o presidente Putin". Segundo ele, qualquer diálogo deve ter objetivo definido e não se transformar em ação de relações públicas com um lado dando lições ao outro.