O jornalista brasileiro Pepe Escobar, do veículo The Cradle, afirmou neste sábado (6) à RT que Rússia e China estão apoiando o Paquistão como mediador para tentar alcançar um possível memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos. Segundo ele, a parceria estratégica entre Moscou e Pequim coordena de forma estreita suas ações tanto com Islamabad quanto com a liderança iraniana.
Direto do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), Escobar afirmou que Rússia, China e Irã são hoje os três principais membros "de facto" dos BRICS e destacou que a estratégia entre eles é coordenada. Ele também disse que o objetivo não é agir contra Washington, mas tentar resolver "de maneira civilizada" a guerra que Donald Trump iniciou unilateralmente contra o Irã.
Ao comentar a ordem internacional, o jornalista afirmou que o mundo está "no meio do longo e sinuoso caminho rumo à multipolaridade". Ele ressaltou a importância de fóruns como o SPIEF, que reúnem atores de toda a Ásia e da África para debater comércio e cooperação econômica, além do papel de organizações como os BRICS, a Organização para Cooperação de Xangai, a Associação das Nações do Sudeste Asiático e a União Africana na promoção de discussões focadas em comércio e desenvolvimento.
- Anteriormente, durante a sessão plenária do fórum, o presidente russo Vladimir Putin classificou como não provocada a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. "Não vejo nenhuma provocação por parte do Irã. Acredito que, em seu momento, chegamos a um acordo relevante sobre o programa nuclear iraniano, e tudo estava sob controle da AIEA. Mas, infelizmente, a situação depois seguiu por outro caminho, com circunstâncias diferentes. Tudo isso levou à tragédia de hoje: o ataque ao Irã, francamente, e às vítimas, incluindo a população civil", afirmou o presidente.
- Ele também reiterou a disposição da Rússia em ajudar a solucionar o conflito. "Já disse isso muitas vezes; não há necessidade de repetir ou perder tempo com isso. A Rússia desempenhou um papel fundamental na resolução da crise em 2015. Se houver algo que possamos fazer hoje, estamos dispostos a colaborar. Caso contrário, esperamos que todos os países envolvidos no conflito consigam resolvê-lo de forma pacífica", concluiu Putin.