Nível 'crítico' e agressividade 'desmesurada': o que se sabe sobre as tentativas de Israel de espionar os EUA

Relatos indicam aumento na avaliação de risco de contrainteligência associada a Tel Aviv em meio a tensões sobre a guerra com o Irã.

Veículos da imprensa dos Estados Unidos relatam uma crescente preocupação dentro do Pentágono com a intensificação de atividades de inteligência atribuídas a Israel contra os Estados Unidos, em um contexto de tensões ligadas ao rumo da guerra com o Irã.

Segundo a NBC News, que ouviu dois funcionários do governo norte-americano e um ex-integrante da administração, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos teria recentemente elevado a avaliação de risco de contrainteligência relacionada a Israel ao nível mais alto. As fontes afirmam que a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (Defense Intelligence Agency – Defense Intelligence Agency) distribuiu nas últimas semanas uma nova análise interna sobre o tema.

O documento teria sido elaborado em meio ao aumento das tensões entre Washington e Tel Aviv sobre os próximos passos da estratégia americana no Oriente Médio, especialmente no contexto da guerra com o Irã.

Preocupação com acesso a decisões internas

As fontes citadas indicam que a principal preocupação estaria ligada a possíveis esforços de Israel para obter informações sobre deliberações internas e processos de tomada de decisão da administração de Donald Trump em temas relacionados ao Oriente Médio.

Um funcionário ouvido pela NBC afirmou que a avaliação inclui um relatório de sete páginas acompanhado de um gráfico, classificando a capacidade israelense de espionagem humana e coleta técnica como "crítica". O documento também mencionaria incidentes específicos que levaram ao aumento da preocupação dos EUA, embora os detalhes não tenham sido divulgados.

"Cruzar uma linha"

O jornal The New York Times acrescenta que Israel e Estados Unidos historicamente têm conhecimento mútuo de atividades de espionagem, em um padrão de tolerância entre aliados. No entanto, segundo autoridades citadas, uma intensificação recente dessas ações por parte de Israel para entender a posição americana em negociações com o Irã teria "cruzado uma linha".

De acordo com o jornal, há preocupação com tentativas de monitorar autoridades de alto escalão envolvidas na formulação da política externa dos EUA. Entre os nomes citados estariam Steve Witkoff, principal negociador de Trump, Elbridge A. Colby, responsável por políticas no Pentágono, e Michael P. DiMino IV, um de seus principais assessores.

Relatórios internos e alegações técnicas

Segundo o New York Times, outro relatório produzido pela Agência de Inteligência de Defesa e outras estruturas militares também classificou o nível de risco como "crítico". O documento, que teria participação da Agência de Contrainteligência e Segurança da Defesa, descreve supostas tentativas de obtenção de informações sobre militares e autoridades dos EUA.

O jornal ainda relata que o relatório foi elaborado após incidentes em que militares norte-americanos em Israel teriam identificado a instalação de softwares de interceptação de comunicações em telefones corporativos.

Fontes militares citadas afirmam que a postura da coleta de inteligência israelense sobre autoridades americanas durante o segundo mandato de Trump teria sido considerada "excessiva". Ainda assim, oficiais dos EUA destacam que já existem protocolos de segurança reforçados para proteger dispositivos e comunicações de pessoal destacado na região.

Negação de Israel e da Casa Branca

Em resposta, a embaixada de Israel em Washington negou as acusações. Em comunicado citado pela emissora N12, afirmou que as alegações são "completamente falsas" e que as atividades de inteligência do país são direcionadas apenas a adversários, não a aliados.

A Casa Branca também rejeitou o conteúdo das reportagens. Um funcionário afirmou à NBC que a história "é falsa" e baseada em informações de alguém que "não sabe o que está acontecendo".