A morte do estudante britânico Henry Nowak, após ser esfaqueado e posteriormente algemado pela polícia durante uma abordagem no sul da Inglaterra, desencadeou uma troca pública de críticas entre autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido.
O caso ganhou repercussão internacional após a condenação do autor do crime e a divulgação de imagens da ação policial.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos se manifestou sobre o caso na quinta-feira (4), afirmando que "condicionamento ideológico" e "policiamento de dois níveis" são sinais de um declínio civilizacional.
Em publicação na rede social X, o órgão enviou condolências à família de Henry Nowak e ao povo britânico.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também comentou o episódio. Em uma longa publicação, afirmou que Nowak morreu "abandonado" pelas autoridades e relacionou o caso a debates sobre imigração e preservação da civilização ocidental.
"Henry Nowak morreu da mesma forma que uma civilização morre: abandonado, algemado por autoridades que nem confiavam nem se importavam com ele, e acusado de crimes de ódio que não cometeu. Seu assassinato é tão trágico quanto enraivecedor", escreveu.
Segundo Vance, impedir a imigração em massa é uma das prioridades do governo do presidente Donald Trump.
"Uma das coisas mais importantes que a administração Trump provou ao mundo é que deter o fluxo de migração em massa e defender a soberania nacional é uma questão de vontade política e liderança. Qualquer coisa além disso é uma desculpa", afirmou.
'Prender pessoas por tweets'
O caso também gerou manifestações de figuras públicas norte-americanas. O senador Eric Schmitt criticou a atuação das autoridades britânicas.
"A Grã-Bretanha tem um regime disposto a prender pessoas por tweets, mas relutante em proteger seus próprios cidadãos de sangrarem nas ruas. Henry Nowak merecia coisa melhor. É assim que parece o declínio da civilização", escreveu.
O empresário Elon Musk publicou diversas mensagens sobre o episódio nas redes sociais, questionando a conduta policial.
"Envie o vídeo para todos que você conhece, mostrando como Nowak foi tratado de forma hedionda pela polícia em seus momentos finais e como a polícia covardemente se curvou ao seu assassino", escreveu Musk.
Na mesma publicação, o empresário condenou a imprensa pela cobertura do caso.
"A mídia mainstream tradicional, as mesmas que escreveram sobre George Floyd milhões de vezes, estão completamente em silêncio sobre Nowak", afirmou.
Reação de Londres
As declarações provocaram reação do governo britânico. Segundo a Fox News, um porta-voz de Downing Street afirmou que, nos últimos dias, houve tentativas de interferir na democracia britânica e de ampliar divisões no país.
O representante destacou que a família de Nowak não deseja que a morte do jovem seja usada para gerar mais "divisão, ódio ou tensão" e defendeu que a política deve unir as pessoas mesmo em circunstâncias trágicas.
O crime
De acordo com as informações do caso, Henry Nowak retornava para casa após jogar futebol com amigos em Southampton, em dezembro de 2025, quando encontrou Vickrum Digwa, um britânico de origem indiana e religião sikh que carregava uma faca cerimonial.
Digwa esfaqueou Nowak cinco vezes, incluindo um golpe fatal no peito.
Quando a polícia chegou ao local, Digwa acusou Nowak de racismo e alegou que o estudante havia retirado seu turbante. Quando localizaram Nowak, os policiais aceitaram a versão apresentada por Digwa e algemaram o estudante. Registros das câmeras corporais mostram Nowak repetindo que não conseguia respirar e informando aos agentes que havia sido esfaqueado.
Segundo as imagens, um policial respondeu: "Não acho que você tenha sido, amigo". Nowak morreu em decorrência dos ferimentos enquanto estava sob custódia policial.
Pedido de desculpas
Durante o julgamento, foi revelado que Digwa telefonou para sua mãe, Kiran Kaur, que chegou ao local antes da polícia e levou a arma do crime para a residência da família.
Ela foi considerada culpada por auxiliar um infrator e será sentenciada em 17 de julho.
Digwa foi condenado por assassinato e recebeu, em 1º de junho, pena de prisão perpétua com período mínimo de 21 anos de cumprimento.
A polícia posteriormente reconheceu falhas na condução do caso. Segundo a Sky News, o vice-chefe temporário da Polícia de Hampshire, Robert France, declarou: "Quero dizer que sinto muito por Henry não ter podido ser salvo naquela noite. Sinto muito por ele ter sido algemado e preso nos momentos antes de perder a consciência".