A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não identificou mudanças significativas em sua avaliação do programa nuclear iraniano, apesar dos três meses de guerra iniciados por Estados Unidos e Israel, cujo objetivo declarado era impedir que Teerã construísse uma bomba atômica.
A informação foi divulgada na quinta-feira (4) pela Reuters, com base no primeiro relatório confidencial da agência desde a véspera do início das hostilidades, no fim de fevereiro.
"O diretor-geral da AIEA enfatizou ao Irã que é indispensável e urgente implementar de maneira efetiva o Acordo de Salvaguardas do Tratado de Não Proliferação (TNP) [...] e que sua aplicação não pode ser suspensa pelo Irã em nenhuma circunstância", afirma o relatório.
Falta de acesso
A agência informou também que seus inspetores ainda não puderam retornar aos locais nucleares bombardeados por Israel e pelos Estados Unidos em junho de 2025. Por isso, o urânio armazenado nessas instalações permanece sem contabilização.
"A falta de acesso da agência para verificar o urânio altamente enriquecido e o urânio pouco enriquecido previamente declarados durante quase um ano, um período que excede amplamente a prática padrão desalvaguardas, constitui motivo de preocupação em matéria de proliferação e de cumprimento do Acordo de Salvaguardas do TNP", diz o documento.
O relatório também fez referência aos locais danificados ou atingidos pelos ataques militares de Washington e Tel Aviv em junho.
"É necessário enfrentar com a máxima urgência a perda da continuidade do conhecimento da agência sobre todo o material nuclear previamente declarado nas instalações afetadas no Irã", diz.
As reservas de urânio enriquecido do Irã se transformaram em um dos principais pontos de divergência nas negociações com os Estados Unidos para encerrar o conflito.
«Entenda como guerra contra Irã empurra o mundo para uma nova era nuclear em nosso artigo»
- Antes dos ataques israelenses e americanos de junho de 2025, estimava-se que o Irã possuía mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, além de quase 200 quilos de material enriquecido a um nível próximo de 20%, que pode ser levado com relativa facilidade a um grau adequado para uso em armas.
- Durante a atual escalada, Washington não descartou a realização de uma operação terrestre caso Teerã se recuse a abrir mão de suas reservas de urânio enriquecido.