Chanceler iraniano diz que EUA devem aceitar realidade de uma 'República Islâmica poderosa'

"Na minha opinião, todo o mundo se surpreendeu", afirmou Abbas Araghchi ao avaliar a resposta de seu país à agressão dos EUA e de Israel.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quinta-feira (5) que os Estados Unidos precisam "compreender e aceitar as realidades do Irã" e ajustar sua relação com Teerã, reconhecendo que enfrentam uma "República Islâmica poderosa", com influência dentro e fora do Oriente Médio.

Em entrevista, Araghchi respondeu a uma pergunta sobre se os EUA, Israel e seus aliados teriam se surpreendido com a rapidez, a força e o alcance da resposta iraniana ao conflito recente.

"Na minha opinião, todo o mundo se surpreendeu", declarou o chanceler. Segundo ele, "ninguém esperava" que o Irã fosse capaz de responder rapidamente aos ataques sofridos e, principalmente, manter resistência durante 40 dias.

"Não é brincadeira que um país resista por 40 dias diante de uma das maiores potências militares do mundo, equipada inclusive com armas nucleares, além de enfrentar outra força militar como o regime sionista", afirmou.

De acordo com Araghchi, o resultado foi que seus adversários acabaram "obrigados" a buscar negociações e um cessar-fogo. O chefe da diplomacia iraniana relatou ainda ter conversado com autoridades de diferentes países, dentro e fora da região, após o conflito.

"Alguns diziam que o Irã foi testado nesta guerra, outros afirmavam que o país saiu mais forte dela e outros falavam em surpresa", relatou.

Na avaliação do chanceler, a guerra acabou se transformando em um "ponto de força" para o Irã. Ele reconheceu que o país sofreu danos, mas argumentou que, sob uma perspectiva estratégica, foram alcançadas conquistas "muito importantes".

Frágil trégua no Oriente Médio

Apesar da frágil trégua declarada no início de abril entre Washington e Teerã, a situação recente na região tem sido marcada por ataques e ameaças mútuas.

Segundo a posição iraniana, a trégua inclui o Líbano, mas as Forças de Defesa de Israel continuam atacando o sul do país árabe. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na segunda-feira (1º) o início de novos bombardeios contra alvos do movimento xiita libanês Hezbollah no bairro de Dahieh, em Beirute.

No dia anterior, um ataque aéreo israelense contra o distrito de Nabatieh, no sul do Líbano, matou pelo menos oito pessoas, entre elas três mulheres.