A União Europeia (UE) tenta enfraquecer os laços da Armênia com seus vizinhos, incluindo a Rússia, sem oferecer garantias concretas sobre perspectivas de cooperação, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
"Os representantes do Ocidente não apenas tentam, por meio do engano, criar na Armênia uma falsa impressão sobre as possibilidades de cooperação", declarou em entrevista à RT.
Ao destacar que "ninguém lhes deu promessas concretas" nem "firmou acordos concretos" com o país, Zakharova afirmou que "o pior é que o Ocidente e, em particular, essa mesma Bruxelas, faz todo o possível para destruir os excelentes e efetivos laços da Armênia com seus parceiros mais próximos na região".
A porta-voz classificou esses planos como "nada surpreendentes, infelizmente". "Essa é uma norma da União Europeia, da Europa Ocidental: não construir, não compartilhar suas capacidades, mas destruir e tornar-se beneficiária da atividade destrutiva que realiza", declarou.
Entre dois polos de integração
Em março de 2025, a Assembleia Nacional da Armênia aprovou um projeto de lei para iniciar o processo de adesão à UE. No entanto, o bloco europeu ainda não apresentou oficialmente um convite de adesão ao país ex-soviético.
Após a primeira cúpula bilateral, realizada em Ierevan no início de maio passado, a Armênia e a UE assinaram vários documentos para aprofundar sua cooperação.
Comentando essa aproximação, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sugeriu a realização de um referendo para consultar os cidadãos armênios sobre um eventual ingresso na UE. Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de uma "análise especial" desses planos, já que Ierevan atualmente recebe "vantagens significativas" no âmbito da União Econômica Eurasiática (UEE).
O bloco reúne Rússia, Belarus, Quirguistão, Cazaquistão e Armênia, e busca fortalecer a integração econômica e desenvolver o livre comércio.
"Poderia ter sido realizado um referendo e perguntado aos cidadãos da Armênia sobre seu desejo" de ingressar na UE, declarou Putin à imprensa.
O presidente russo acrescentou que, dependendo do resultado dessa consulta popular, Moscou tomaria sua decisão correspondente. "Com base nisso, nós também faríamos a escolha apropriada e seguiríamos o caminho de um divórcio suave e inteligente", afirmou.
No próximo sábado (6), a Armênia irá às urnas em eleições consideradas decisivas não apenas para renovar a Assembleia Nacional, mas também para definir o rumo estratégico do país nos próximos anos, entre a linha pró-europeia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan e a continuidade da integração com Moscou.