O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (3) que Washington precisa manter relações e canais de comunicação com Moscou, apesar das divergências no conflito ucraniano.
A declaração foi feita durante audiência na Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara dos Representantes, em resposta a uma pergunta da deputada republicana Anna Paulina Luna sobre o contato entre o Congresso e os representantes da Duma russa.
Pela primeira vez em 20 anos, parlamentares russos estiveram nos Estados Unidos para reuniões com membros do Congresso, observou Luna, que também perguntou sobre as consequências de interromper o diálogo com a Rússia.
Ao responder, Rubio afirmou que os EUA buscam uma solução negociada para o conflito, mas ressaltou que a relação bilateral com Moscou deve ser tratada separadamente. Segundo ele, a Rússia possui senão o maior, o segundo maior arsenal nuclear do mundo.
"No mínimo, precisamos manter relações e conversas com os russos. Simplesmente precisamos", declarou o secretário de Estado, acrescentando que essa comunicação é necessária independentemente das diferenças entre os dois países.
O secretário afirmou ter mantido contato com diversas autoridades russas, incluindo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Ele classificou as conversas como parte de uma diplomacia "madura e importante" e apontou que o mesmo princípio também é válido para a relação dos EUA com a China.
Para o chefe da diplomacia americana, manter canais abertos é essencial em momentos de tensão internacional. "É muito melhor ter alguém do outro lado com quem conversar do que não ter", declarou. Rubio acrescentou que as relações entre Washington e Moscou tendem a se tornar mais fáceis quando o conflito na Ucrânia chegar ao fim.
EUA não são mediadores imparciais
Durante a mesma audiência, Rubio reconheceu que Washington não atua como um mediador neutro nas negociações para encerrar o conflito na Ucrânia e classificou o andamento das tratativas como "infrutífero".
"Para ser justo e franco, não somos mediadores imparciais nessa guerra. Não fornecemos armas à Rússia. Fornecemos armas apenas à Ucrânia", afirmou perante o Congresso.
O secretário de Estado acrescentou que os EUA também aplicam sanções exclusivamente contra Moscou. "Portanto, claramente tomamos partido", declarou, ressaltando que a venda de armamentos norte-americanos para Kiev continua por meio de países europeus.