Irã ataca base aérea e centro da Quinta Frota Naval dos EUA

Teerã afirmou que os bombardeios são uma resposta aos ataques americanos contra infraestrutura de comunicações na ilha de Qeshm.

A Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica bombardeou com mísseis e drones a sede da Quinta Frota dos EUA. A ação é uma represália aos recentes ataques das tropas americanas contra instalações críticas iranianas, informa a agência Tasnim em publicação nesta terça-feira (2).

"O inimigo americano, em uma nova agressão, atacou com projéteis uma torre de telecomunicações do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica no sul da ilha de Qeshm. Em resposta a essa agressão, a base aérea e de helicópteros que eles possuem em um dos países da região, assim como o centro da Quinta Frota Naval dos EUA, foram atacados com mísseis e drones pela Força Aeroespacial", diz um comunicado divulgado pela agência.

O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica destacou que já havia advertido Washington de que, "em caso de agressão, a resposta seria diferente e mais contundente".

"Essas respostas devem servir de lição", acrescentaram.

A versão dos EUA

Enquanto isso, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou em uma publicação em sua conta no X que as tropas americanas neutralizaram com sucesso vários mísseis balísticos e drones iranianos, e realizaram ataques de autodefesa na ilha de Qeshm "em resposta às tentativas de ataque do Irã no Oriente Médio".

Segundo a versão americana, o Irã lançou sem sucesso "vários mísseis balísticos contra países vizinhos da região".

No caso do Kuwait, os dois projéteis "não atingiram o alvo ou se desintegraram durante o trajeto", enquanto as forças conjuntas de defesa aérea dos EUA e do Bahrein interceptaram "imediatamente" outros três.

De acordo com sua cronologia, antes de Teerã se preparar para lançar esses mísseis, o CENTCOM derrubou "três drones de ataque unidirecional" iranianos que teriam como alvo "marinheiros civis que transitavam legitimamente por águas regionais".

Ao mesmo tempo, o comando admitiu ter bombardeado "uma estação militar iraniana de controle terrestre na ilha de Qeshm", embora tenha classificado a ação como "ataques de autodefesa".

Além disso, a entidade militar afirmou que "nenhum integrante das forças americanas ficou ferido".

"As forças do CENTCOM permanecem vigilantes e preparadas para se defender de qualquer agressão iraniana injustificada durante o cessar-fogo atualmente em vigor", conclui o comunicado.

Negociações em risco

Apesar da frágil trégua declarada no início de abril entre Washington e Teerã, a situação na região tem sido marcada recentemente por ataques e ameaças mútuas.

Na segunda-feira (1º), a agência iraniana Tasnim informou que a equipe negociadora do país persa suspendeu as conversas e a troca de mensagens com os EUA em protesto contra os ataques de Israel ao Líbano, uma vez que uma das condições prévias das negociações para o cessar-fogo era o fim das hostilidades contra esse país árabe.

Em resposta a essas informações, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não havia recebido notícias do Irã sobre uma possível suspensão das conversas. No entanto, acrescentou que, se isso fosse verdade, não se importaria.

"Sinceramente, não me importa se elas acabaram. Realmente não me importa, não me importa nem um pouco", declarou o presidente.

No entanto, posteriormente, na segunda-feira (1º), Trump afirmou que teve "uma conversa muito produtiva" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que lhe prometeu não enviar tropas para Beirute, a capital libanesa.

Além disso, acrescentou que Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah concordaram em encerrar os ataques mútuos.

Depois disso, Trump anunciou que "as conversas com a República Islâmica do Irã continuam avançando em bom ritmo".