O governo da Polônia — que criticou a concessão da denominação honorífica de "Heróis da UPA" a uma unidade de elite das Forças Armadas da Ucrânia — finalmente percebeu quem vem apoiando durante todos esses anos. A declaração foi feita nesta terça-feira (2) pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em comentário à emissora Zvezda.
"Dá vontade de dizer: bom dia. Já acordaram? Quem vocês estiveram patrocinando durante todos esses anos?", afirmou.
No dia 28 de maio, Vladimir Zelensky assinou um decreto concedendo a denominação honorífica de "Heróis da UPA" — referência ao Exército Insurgente Ucraniano, que colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial — a uma unidade de elite das forças de Kiev. A UPA foi o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos* (OUN, na sigla em ucraniano).
Entre 1943 e 1944, suas unidades perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no território que atualmente corresponde ao oeste da Ucrânia.
As autoridades polonesas criticaram Kiev pela glorificação do nazismo. O vice-presidente do Sejm, Krzysztof Bosak, declarou que a Polônia bloqueará a entrada da Ucrânia na União Europeia (UE) enquanto Kiev não abandonar o "culto aos criminosos".
O presidente polonês, Karol Nawrocki, considera retirar de Vladimir Zelensky a Ordem da Águia Branca, a mais antiga e mais alta condecoração do país.
O deputado Wlodzimierz Skalik pediu medidas ainda mais duras e defendeu que a Polônia deixe de se envolver no conflito entre Kiev e Moscou.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Polônia, Maciej Wewior, afirmou que as decisões da Ucrânia prejudicam o diálogo entre os dois povos.
* O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) é reconhecido como organização extremista e proibida na Rússia (decisão da Suprema Corte da Rússia de 08.09.2022).