O secretário dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2) que a América Latina está atualmente "cheia de aliados e amigos" de Washington, mas excluiu o Brasil e outros países do grupo de alinhados aos interesses norte-americanos.
Durante audiência no Senado dos EUA, Rubio classificou como um "grande feito" a atual posição de Washington no continente. Segundo ele, a maioria dos governos latino-americanos mantém uma orientação favorável a Washington.
"É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos", declarou o chefe da diplomacia norte-americana.
A fala ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington.
Nos últimos dias, o governo Trump anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida criticada por integrantes do governo brasileiro e vista com preocupação em razão de possíveis interferências na soberania nacional.
Trump ameaça novo 'tarifaço' ao Brasil
Em 15 de julho de 2025, o governo Donald Trump abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A alegação foi que políticas brasileiras em áreas como comércio digital, meios de pagamento eletrônicos, propriedade intelectual e acesso ao mercado prejudicariam interesses americanos.
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação e recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversas importações brasileiras. O órgão afirmou que as práticas analisadas seriam "irracionais" e criariam barreiras ao comércio dos EUA.
A proposta ainda passará por consulta pública nos EUA e audiência marcada para julho antes de uma decisão final. Entre os temas citados pelos americanos estão o Pix, o comércio digital, a proteção à propriedade intelectual e decisões brasileiras relacionadas a plataformas digitais e remoção de conteúdos online.