O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, retornou da Argentina com perspectivas promissoras, avaliou a coluna do jornalista Marcelo Godoy, no Estadão, na segunda-feira (1º).
Múcio teria indicado que os três submarinos franceses da classe Scorpène pretendidos pelo governo de Javier Milei poderão ser construídos no Complexo de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
Sua missão realizada durante o mês de maio visava reaproximar as relações militares entre o Brasil e a Argentina e resultou também no interesse argentino pelo cargueiro KC-390, produzido pela Embraer.
A iniciativa brasileira se insere em uma estratégia mais ampla de diplomacia militar sul-americana.
Múcio planeja visitar ainda Chile, Paraguai, Peru, Colômbia e Venezuela até agosto, apresentando produtos da Base Industrial de Defesa nacional aos vizinhos.
O aumento da demanda por equipamentos militares representa oportunidade significativa para o setor brasileiro, que responde por 3,5% do PIB e aproximadamente 4 milhões de empregos.
A negociação dos submarinos envolve cofinanciamento entre França e Brasil, modelo apresentado após missão do tesouro francês a Buenos Aires.
O Naval Group, parceiro do conglomerado brasileiro Novonor em Itaguaí, já possui carta de intenções assinada com a Argentina desde 2024. Foi nesse mesmo complexo que os quatro submarinos da Classe Riachuelo foram construídos para a Marinha brasileira, demonstrando capacidade técnica instalada.
Além dos submarinos, as conversas abordaram a aquisição do KC-390, aeronave que já conquistou 57 encomendas internacionais. Múcio enfatizou as vantagens do financiamento via BNDES e criticou resistências internas ao fomento da indústria de defesa.