Os Estados Unidos estão tendo conversas confidenciais no âmbito da OTAN sobre a possibilidade de expandir o destacamento de ativos ligados ao seu guarda-chuva nuclear para mais países europeus, informou nesta terça-feira (2) o Financial Times (FT), citando fontes familiarizadas com as discussões.
Segundo o jornal, a iniciativa visa transmitir aos aliados que uma potencial redução do apoio militar convencional dos EUA na Europa, incluindo a retirada de tropas e de sistemas de armas essenciais, não enfraquecerá as garantias de segurança de Washington.
O debate surge em meio à crescente preocupação no continente com o possível redirecionamento de recursos militares dos EUA para a Ásia e outras regiões, observa a publicação.
O programa em questão é o programa de compartilhamento nuclear da OTAN, que atualmente inclui Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda, Turquia e Reino Unido, aliados autorizados a hospedar aeronaves com capacidade dupla e bombas nucleares americanas implantadas sob o controle de Washington.
Entre os países que demonstraram maior interesse em aderir estão a Polônia e alguns países bálticos, segundo o Financial Times.
Embora um acordo imediato não esteja à vista, a Aliança considera o guarda-chuva nuclear um componente insubstituível da defesa europeia, mesmo que seus membros aumentem drasticamente os gastos com capacidades militares convencionais, conforme exigido pelo governo Trump.
- A reportagem do Financial Times surge em meio a crescentes tensões dentro da OTAN e repetidas críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, ao bloco, que chamou de "tigre de papel" e um aliado "decepcionante".
A disputa se intensificou depois que o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que se sentia "desiludidos" com a abordagem adotada por EUA e Israel contra o Irã e, em vez disso, defendeu a necessidade de A União Europeia trabalhar decisivamente em uma solução diplomática para o conflito.