O governo americano propôs a aplicação de uma tarifa punitiva de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil após concluir que práticas adotadas pelo país prejudicam o comércio americano, informaram a agência Reuters e a CNBC nesta terça-feira (2).
A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a adoção de sanções contra parceiros considerados responsáveis por práticas comerciais desleais
Segundo o USTR, a investigação analisou temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico (PIX), proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O órgão afirmou que as práticas examinadas são "irracionais" e "prejudicam ou restringem o comércio dos Estados Unidos".
« QUAIS SÃO AS GUERRAS COMERCIAIS DA ERA TRUMP E SEUS OBJETIVOS? SAIBA MAIS EM NOSSO ARTIGO »
O representante comercial americano, Jamieson Greer, disse que a apuração foi aberta por determinação do presidente Donald Trump para enfrentar preocupações antigas de Washington em relação às políticas brasileiras.
Apesar de reuniões recentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Greer afirmou que os dois países ainda mantêm "diferenças substanciais" sobre os temas investigados.
A proposta exclui produtos como carne bovina, café, terras raras, petróleo, fertilizantes, aeronaves e peças aeronáuticas. A medida sucede a derrubada, pela Suprema Corte dos EUA, das tarifas de 50% impostas por Trump em 2025 sobre parte das exportações brasileiras.
O governo americano receberá contribuições até 1º de julho e promoverá uma audiência pública em 6 de julho antes de decidir sobre a adoção das novas tarifas.