Espionagem ocidental tentou hackear celulares em larga escala na Rússia, revela FSB

Serviços secretos estrangeiros usavam software "para extração de dados, escuta de conversas em andamento, bem como monitoramento acústico e de vídeo secreto".

O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia descobriu um esquema de serviços de inteligência estrangeiros que visavam instalar spyware em dispositivos móveis de altos funcionários russos, informou a agência nesta terça-feira (2).

"Utilizando os recursos técnicos de grandes corporações internacionais de TI por meio de dispositivos móveis, representantes de serviços de inteligência estrangeiros realizaram a extração secreta e não autorizada de diversos tipos de informações dos equipamentos afetados pelo ciberataque", enfatizou a instituição.

Segundo o FSB, o software instalado era usado "para a extração de dados, escuta de conversas em andamento, bem como monitoramento acústico e de vídeo secreto do ambiente próximo a dispositivos eletrônicos".

Uma vez que o dispositivo é comprometido, os serviços de inteligência coletam informações comprometedoras sobre a pessoa e promovem sua inclusão nas listas de sanções da União Europeia, medida que pode ser usada posteriormente como instrumento de pressão.

O FSB destaca que vários países participaram da complexa operação, utilizando tecnologias de empresas americanas como Fastly e Cloudflare.

Em resposta, a Diretoria de Investigações do FSB iniciou uma investigação e já abriu um processo criminal por dois crimes: acesso ilegal a dados informáticos e criação, utilização e distribuição de software malicioso.

O FSB enfatizou que informações confidenciais não devem ser compartilhadas por meio de comunicação móvel, "pois o conteúdo das conversas pode ser divulgado a terceiros e ter consequências irreversíveis".

"Claramente, os serviços de inteligência ocidentais acreditavam que seria mais fácil e barato para eles invadir telefones celulares em larga escala", acrescentou.