
Criadores de lagostas podem sacudir Senado dos EUA; entenda

As políticas tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, e o aumento dos preços dos combustíveis estão corroendo o apoio da classe trabalhadora ao Partido Republicano no Maine, um estado decisivo onde uma batalha eleitoral importante para o Senado será travada em alguns meses, informou o Financial Times no domingo (31).

O veículo descreve um clima de descontentamento entre pescadores, agricultores e trabalhadores florestais da região — um setor fundamental que apoiou a agenda populista e voltada para a classe trabalhadora de Trump na última eleição.
Simon Torres, pescador de sétima geração e eleitor de Trump, afirmou que as tarifas estavam se prolongando muito mais do que o previsto e que, quanto mais tempo durassem, pior ficaria a situação.
"Com Trump, algumas das coisas que ele diz soam ótimas em teoria, mas com o tempo elas deixam de parecer tão boas", admitiu.
Muitas outras pessoas nos pequenos portos do Maine sentem que as promessas do presidente estão se desvanecendo diante do aumento dos custos. As armadilhas para lagostas, fabricadas na Itália e na China, subiram mais de US$ 15 cada, enquanto o diesel, necessário para operar os barcos, teve um aumento de 58% no último ano, chegando a US$ 5,80 por galão.
Fim da maioria republicana?
O descontentamento generalizado pode definir a disputa pela vaga atualmente ocupada pela senadora republicana Susan Collins, e os democratas veem o Maine como uma oportunidade para retomar o controle do Senado dos republicanos nas eleições de novembro.
Com esse objetivo em mente, segundo o veículo, indicaram Graham Platner, um produtor de ostras e veterano da Guerra do Iraque que defende o populismo econômico de esquerda. Contudo, sua campanha foi marcada por diversas controvérsias, incluindo acusações de envio de mensagens adúlteras para diversas mulheres e de uma tatuagem com simbologia nazista — que Platner alegou desconhecer a associação —, semeando dúvidas entre os eleitores.
Apesar dos esforços de Collins para se distanciar de Trump, que votou contra suas tarifas e buscou medidas de auxílio para a indústria da lagosta, o descontentamento geral em relação à política comercial do presidente pode custar ao Partido Republicano a maioria no Senado, cunhando a tendência descrita pelo Financial Times como a "rebelião da lagosta".
"Já votei na Collins antes, mas não sei o que farei este ano. Tudo está contra nós", lamenta Jason, um pescador de lagostas que precisa de 100 galões de diesel por dia para o seu negócio.
Segundo as pesquisas, a disputa está muito acirrada para prever um vencedor, e alguns duvidam da experiência de Platner, embora o descontentamento generalizado no Maine tenha aberto caminho para mudanças. As análises indicam que essa resultado possa definir não apenas o futuro do Senado, mas também o da presidência de Trump, que entra na segunda metade de seu mandato com índices de aprovação em mínimas históricas, sugere a análise do jornal.

