Deputado iraniano Esmail Kowsari declarou em entrevista à RT nesta segunda-feira (1º) que os Estados Unidos têm uma mentalidade "diabólica".
"Esse pensamento satânico é arrogância, arrogância e querendo tudo para si; é como se eles não vissem ninguém além de si mesmos", acrescentou.
"E isso é impossível neste mundo, onde, afinal, todos nós queremos nos relacionar. Queremos dizer: onde é que aqueles que tanto falam sobre direitos humanos respeitaram esses direitos? Onde é que respeitaram a democracia de que tanto falam?", perguntou.
"Eles vêm com seus direitos humanos e depois bombardeiam a escola de Minab, onde 168 meninas estudavam em suas turmas, matando todas elas com mísseis e semeando enorme angústia entre suas famílias", criticou.
Proteção jurídica do acordo
Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Iraniano, Esmail Baghaei, detalhou que Teerã e Washington estão incluindo no possível acordo que encerra a guerra uma cláusula que exigiria que o pacto tivesse o respaldo de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.
"Ainda estamos debatendo as disposições gerais. Esses quatorze pontos abrangem apenas os artigos essenciais, incluindo uma cláusula que estipula que, caso um acordo seja alcançado, ele deverá ser formalizado em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para garantir sua proteção legal ", declarou Baghaei em uma coletiva de imprensa.
No entanto, esclareceu que Teerã não acredita que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU garanta a implementação do acordo, visto que os EUA já ignoraram suas resoluções no passado.
Trégua frágil
- Donald Trump afirmou no sábado (23) que um acordo de paz com o Irã estaria próximo após uma "muito boa" conversa telefônica com líderes do Oriente Médio e disse que os detalhes finais ainda estavam sendo negociados, escreveu em sua conta na Truth Social..
- Apesar disso, o presidente norte-americano não deixou de fazer ameaças ao país. No mesmo dia, afirmou que havia "50%" de chances de alcançar um acordo com o Irã ou, caso contrário, de "fazê-los voar pelos ares", retomando a guerra.
Nesta segunda-feira, os EUA realizaram ataques no sul do Irã para "proteger" tropas americanas na região contra possíveis "ameaças" vindas do país persa. Na quarta-feira (27), a Reuters informou que o Exército dos EUA bombardeou uma instalação militar iraniana na região do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, a Axios informou na quinta-feira (28) que as equipes de negociação dos Estados Unidos e do Irã haviam chegado a um acordo sobre um memorando de entendimento de 60 dias para prorrogar o cessar-fogo e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas Trump ainda não deu sua aprovação final. De Teerã, no entanto, essa informação não foi confirmada.
Trump anunciou na sexta-feira (29) o levantamento do bloqueio naval imposto contra o Irã, embora tenha condicionado a medida ao cumprimento, por parte de Teerã, de várias exigências. No entanto, marinheiros iranianos denunciaram que o bloqueio continua em vigor. Segundo seus depoimentos, várias embarcações tentaram atravessar após o anúncio e foram interceptadas por navios militares dos EUA.