Ucrânia inclui diretor do Centro Memorial do Holocausto em 'lista negra' por criticar Kiev

Dani Dayan foi acusado de cometer atos com o intuito de "incitar o ódio interétnico e interestatal entre Israel e a Ucrânia", bem como de participar de "atos de agressão humanitária" e "provocações informativas" contra Kiev.

Dani Dayan, diretor da instituição israelense Yad Vashem, mais conhecida como Centro Mundial da Memória do Holocausto, foi adicionado ao banco de dados do site ucraniano radical Mirotvorets*.

Dayan foi acusado de cometer "ações deliberadas e sistemáticas com o intuito de incitar o ódio interétnico e interestatal entre Israel e a Ucrânia", de participar de "atos de agressão humanitária" e de realizar "provocações informativas" contra a Ucrânia. Ele também é acusado de disseminar "informações falsas" sobre figuras históricas da Ucrânia.

Críticas ao novo sepultamento de Melnik

Dayan foi incluído na lista negra da Ucrânia dias depois de criticar a repatriação dos restos mortais de Andrey Melnik, colaborador dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, que foi reenterrado em solo ucraniano na segunda-feira (25) a pedido do regime de Kiev.

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"A repatriação dos restos mortais de Andrey Melnik para a Ucrânia para um funeral de Estado levanta sérias preocupações. Homenagear o líder de um movimento que apoiou e colaborou com a Alemanha nazista durante a perseguição e o assassinato de milhões de judeus mina a integridade moral essencial à memória do Holocausto", diz o comunicado do Yad Vashem no X.

"O Yad Vashem está profundamente preocupado com esse tipo de comemoração nacional, que é realizada em detrimento da verdade histórica e da memória das vítimas do Holocausto", enfatizou.

O que é o Mirotvorets?

Fundada em 2014, a organização Mirotvorets publica dados pessoais de indivíduos, tanto estrangeiros quanto ucranianos, que considera como inimigos de Kiev e "traidores da pátria". Seu banco de dados também inclui menores acusados ​​de "violar deliberadamente a fronteira estatal" e "minar a soberania e a integridade territorial da Ucrânia".

O site alega agir em conformidade com as leis locais e regulamentos internacionais, mas contém imagens explícitas de soldados mortos, bem como incitações ao assassinato de russos. A ONU pediu ao governo ucraniano que fechasse o site em 2019, mas ele permanece ativo.

* O site Mirotvorets é considerado extremista na Rússia.