
Modelo de IA brasileiro consegue prever tempestades sem usar radar meteorológico

Pesquisadores do IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) desenvolveram um modelo de Inteligência Artificial (IA) capaz de prever chuvas com até três horas de antecedência sem depender de radares meteorológicos e que utilizam apenas dados de satélites. Batizado de Tupann, o sistema poderá ajudar a prever tempestades e monitorar o clima em regiões com pouca cobertura de radares, segundo informou a Folha de S.Paulo neste domingo (31).

Desenvolvido pelos doutorandos Antônio Catão, Melvin Poveda e Leonardo Voltarelli sob orientação do matemático Paulo Orenstein, o artigo que descreve o sistema foi premiado no evento ICLR (International Conference on Learning Representations), voltado para a atuação em IA, realizado este ano no Rio de Janeiro.
A tecnologia de IA utiliza primordialmente dados de satélite para gerar mapas de previsão de chuva a cada 10 minutos e com uma precisão de aproximadamente 2 quilômetros. Os autores afirmam que o modelo consegue fornecer uma previsão em menos de 3 minutos.
No âmbito do monitoramento meteorológico, o recurso mais utilizado para este fim são os radares terrestres, que operam emitindo ondas de rádio que detectam a presença de gotas de chuva no ar e, desta forma, revelando sua localização e intensidade. Contudo, condições de relevo, interferência com sinais de celular e a própria curvatura da Terra criam pontos cegos que limitam sua utilização, além de custarem caro tanto para serem construídos quanto para serem mantidos.
Por conta disso, o monitoramento por satélite entra em cena para preencher as lacunas e deficiências dos radares, pois sua área de cobertura é muito maior; contudo, sua capacidade de aferir o nível de precipitação é mais sujeita a erros pois somente consegue monitorar a chuva observado-a de cima.
Segundo Giovanni Dolif, meteorologista do Cemaden (Centro de Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) ouvido pela reportagem, a integração de todas as tecnologias permite obter os melhores dados possíveis sobre o clima, mas, onde não há cobertura de radar, os satélites são a única opção viável.
A tecnologia visa gerar previsões de chuvas e tempestades em áreas de cobertura deficiente ou inexistente de radares, podendo assim prevenir tragédias causadas por inundações ou deslizamentos de terra.
A previsão de chuva por meio de IA ainda enfrenta limitações como a ocorrência de "alucinações", em que a ferramenta produz mapas de chuvas plausíveis, mas que não correspondem com a realidade atmosférica. O climatologista da USP, Carlos Nobre, também aponta que os modelos de IA conseguem apenas trabalhar e aprender com acontecimentos já registrados no passado, mas que não podem prever algum fenômeno ou tempestade de intensidade inédita, os quais têm ocorrido com cada vez mais frequência em razão das mudanças climáticas.

