Uma proposta controversa apresentada na última sexta-feira (29) reacendeu o debate sobre o financiamento do sistema de cuidados de saúde na Alemanha, segundo relatou a revista alemã Bild.
Albert Stegemann, vice-líder da União Democrata Cristã (CDU), defendeu que indivíduos com patrimônio — incluindo a casa própria — devem utilizar seus próprios recursos para custear cuidados de longo prazo antes que o Estado assuma esses custos. O objetivo é enfrentar o déficit bilionário previsto para o setor.
Atualmente, a residência de um indivíduo costuma estar protegida contra cobranças do serviço social desde que familiares ainda residam no imóvel.
No entanto, o novo modelo sugere que quem acumulou bens, como imóveis ou ações, deve assumir a responsabilidade financeira pelos cuidados de saúde, evitando o que Stegemann chama de "proteção de herança às custas da coletividade".
A medida impactaria milhões de idosos, uma vez que cerca de 56% da população com mais de 65 anos é proprietária de imóveis.
A urgência da reforma é motivada por um déficit projetado de 17,4 bilhões de euros até 2030. Sem mudanças, o aumento nos custos de internações pode causar uma explosão nas contribuições de trabalhadores.
Embora o Partido Social-Democrata (SPD) tenha sinalizado abertura para discutir a ideia sob o princípio da solidariedade, a proposta enfrenta forte resistência devido ao potencial impacto na sucessão patrimonial das famílias alemãs.