O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a trair a diplomacia, denunciou Mohsen Rezaei, ex-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica e atual assessor militar do líder supremo do Irã, indicando que o bloqueio naval dos Estados Unidos à nação persa continua.
"Como era de se esperar, o presidente dos Estados Unidos trai a diplomacia pela terceira vez. Ao manter o bloqueio naval e fazer exigências excessivas nas negociações, ele demonstrou mais uma vez que não está disposto a negociar e que persegue outros objetivos", publicou ele neste sábado no X.
Exigências e promessas de Trump
As declarações vêm depois que o chefe de Estado norte-americano anunciou no dia anterior que o "surpreendente e inédito bloqueio naval" seria suspenso "agora" e que os navios presos no estreito de Ormuz "poderiam iniciar o processo de retorno para casa".
Ao mesmo tempo, Trump reiterou suas exigências. Em particular, afirmou que a República Islâmica do Irã "deve se comprometer a nunca possuir uma arma nuclear nem uma bomba atômica". Nesse contexto, indicou que o material enriquecido ou "pó nuclear" que, segundo ele, "está enterrado a grande profundidade sob montanhas praticamente destruídas pelo poderoso ataque" do bombardeiro B-2 durante a Guerra dos 12 Dias no verão passado, será "desenterrado pelos Estados Unidos" e destruído.
Além disso, ele declarou que o Estreito de Ormuz "deve ser aberto imediatamente, sem pedágio, para a livre circulação marítima em ambas as direções". "Todas as minas submarinas, se houver, serão desativadas", continuou Trump, acrescentando que as forças americanas eliminaram inúmeras minas com seus potentes caça-minas submarinos, enquanto o Irã "concluirá a eliminação ou detonação imediata das minas restantes, que não serão muitas".
Trégua frágil
Embora os quase 40 dias de intensas hostilidades tenham cessado em 7 de abril com uma trégua entre os EUA e o Irã, as tensões permanecem entre as duas partes devido ao fracasso das negociações de paz, à troca de ataques verbais e ao bloqueio naval mútuo de embarcações comerciais no golfo Pérsico e no mar Arábico.
Na quarta-feira (27), o Irã realizou um ataque de retaliação contra posições dos EUA na região após uma ofensiva de Washington contra uma instalação militar iraniana na área de Bandar Abbas.
Ao mesmo tempo, o Axios informou que as equipes negociadoras dos EUA e do Irã chegaram a um acordo sobre um memorando de entendimento de 60 dias para estender o cessar-fogo e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas Trump ainda não deu sua aprovação final. Teerã, no entanto, ainda não confirmou essa informação.
- Donald Trump afirmou no sábado (23) que um acordo de paz com o Irã estaria próximo após uma "muito boa" conversa telefônica com líderes do Oriente Médio e disse que os detalhes finais ainda estavam sendo negociados, escreveu em sua conta na Truth Social..
- Apesar disso, o presidente norte-americano não deixou de fazer ameaças ao país. No mesmo dia, afirmou que havia "50%" de chances de alcançar um acordo com o Irã ou, caso contrário, de "fazê-los voar pelos ares", retomando a guerra.
Nesta segunda-feira, os EUA realizaram ataques no sul do Irã para "proteger" tropas americanas na região contra possíveis "ameaças" vindas do país persa. Na quarta-feira (27), a Reuters informou que o Exército dos EUA bombardeou uma instalação militar iraniana na região do Estreito de Ormuz.