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Ofensiva dos EUA contra PCC e CV pode afetar o Pix, alerta governo Lula

Medida norte-americana aumenta pressão sobre o sistema financeiro brasileiro para rastrear a origem de recursos e evitar lavagem de dinheiro.
Ofensiva dos EUA contra PCC e CV pode afetar o Pix, alerta governo Lula

O governo Lula alertou que a ofensiva dos Estados Unidos contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) pode atingir o Pix e outras estruturas do sistema financeiro brasileiro. Em nota divulgada nesta sexta-feira (29), Brasília afirmou que medidas unilaterais vindas do exterior podem "afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros".

A declaração foi feita após a decisão dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, medida prevista para entrar em vigor em 5 de junho. Na prática, a mudança aumenta a pressão sobre bancos, fintechs, instituições de pagamento e cooperativas de crédito para rastrear a origem de recursos e evitar a lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado.

Instituições que tenham qualquer ligação, mesmo indireta, com valores associados a esses grupos podem entrar no radar das autoridades norte-americanas. O efeito tende a ser maior sobre empresas que operam em dólar, mantêm relação com o mercado dos EUA ou dependem de bancos correspondentes para transações internacionais.

Diante desse cenário, o Pix pode passar a ser alvo de maior monitoramento. Como o sistema movimenta bilhões de reais diariamente e permite transferências instantâneas, bancos e órgãos de fiscalização podem ampliar o acompanhamento de operações consideradas suspeitas, sobretudo em contas digitais e instituições de pagamento.

O alerta ocorre em um contexto no qual investigações brasileiras já apontam o uso de contas digitais, empresas de fachada e transferências eletrônicas por organizações criminosas para ocultar a origem de recursos. 

O governo brasileiro afirma que mantém combate permanente ao PCC, ao CV, a milícias e a outras organizações criminosas. A nota cita uma lei recente de combate a esses grupos, com penas que chegam a 80 anos de prisão, e o programa 'Brasil contra o Crime Organizado", voltado a atingir desde a atuação armada nas ruas até estruturas de financiamento.

Brasília também sustenta que o crime organizado não respeita fronteiras e que seu enfrentamento exige cooperação internacional. Segundo o comunicado, o Brasil apresentou em 16 de abril ao Departamento de Estado dos EUA uma proposta baseada em inteligência, controle da lavagem de dinheiro no exterior e combate ao tráfico de armas enviadas ao país.

Ao mesmo tempo, o governo rejeita medidas unilaterais e afirma que a classificação e o combate ao crime dentro do território nacional cabem às instituições brasileiras. Para Brasília, ações não negociadas podem reduzir a troca de informações entre polícias, enfraquecer o combate aos criminosos, gerar riscos à população e causar prejuízos econômicos.