A Comissão Europeia (CE)advertiu nesta sexta-feira (29) que "o estado atual da relação comercial e de investimentos" com a China "é insustentável", razão pela qual considera necessária "uma resposta mais firme e coerente" diante da aproximação com "um parceiro fundamental".
A avaliação foi apresentada pelo Colégio de Comissários da CE após um debate interno realizado em Bruxelas sobre o balanço das relações entre a União Europeia (UE) e a China. Segundo comunicado do bloco, foram analisadas as oportunidades e os desafios da relação bilateral.
"A abordagem geral da Comissão continua sendo a redução de riscos, e não o desacoplamento. A China é um parceiro fundamental, e o engajamento e o diálogo continuarão. Ao mesmo tempo, o estado atual da relação comercial e de investimentos não é sustentável", afirma parte das conclusões dos comissários.
O documento acrescenta que, à medida que os interesses econômicos e de segurança entre UE e China se tornam cada vez mais interligados, "ambas as dimensões exigirão uma resposta mais firme e coerente". Além disso, informa que a discussão servirá de base para os trabalhos das próximas semanas, culminando em novos debates no G7 e no Conselho Europeu em junho.
Sobre o tema, o portal elDiario.es observou que não é simples para a UE adotar uma postura mais confrontadora em relação à China, já que um foco de conflito poderia representar riscos ao abastecimento de minerais críticos para a Europa.
Posições divididas na UE
Dentro do bloco, há divergências. O grupo liderado pela França defende a implementação de tarifas e outras medidas comerciais protecionistas, argumentando que a China pratica políticas comerciais consideradas abusivas. Por outro lado, países como Espanha e Alemanha apoiam uma abordagem mais aberta.
No caso da Espanha, o presidente do governo, Pedro Sánchez, realizou três viagens a Pequim nos últimos três anos, a mais recente em abril. O líder espanhol defende uma política mais conciliadora com a China, buscando diversificar mercados e reduzir a dependência dos Estados Unidos.
As tensões comerciais aumentaram após a Europa impor tarifas sobre veículos elétricos chineses. Em resposta, a China passou a taxar produtos europeus, incluindo derivados de carne suína.