O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas, nesta sexta-feira (29), à decisão do governo norte-americano de designar, no dia anterior, as facções criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo o brasileiro, os grupos devem ser vistos dessa forma pelas comunidades e periferias brasileiras, que mais sofrem com a violência e, por isso, precisam ser combatidos "aqui dentro".
Lula também subiu o tom contra o clã Bolsonaro, responsável por influenciar na decisão do governo Trump. "Não tem traidor maior", disse, em referência ao senador e pré-candidato á Presidência, Flávio Bolsonaro.
Terroristas nos EUA
"Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama Bin Laden, que é não sei das quantas, e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá. Porque sabe que as armas importadas que são contabilizadas para o Brasil vêm dos Estados Unidos. Vêm de lá as armas'', pontuou, durante evento da Petrobras em Laranjeiras (SE).
Ao destacar iniciativas de seu governo na área da segurança pública, como a Lei Antifacção e outras medidas voltadas ao combate ao crime organizado, o Lula questionou políticas do governo Donald Trump, lembrando que criminosos brasileiros encontram refúgio no país.
Lula lembrou que figuras como o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, "maior contrabandista de combustível deste país", estão nos Estados Unidos.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos e 1 mês de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2023, Ramagem fugiu do Brasil em 2025. O aliado de Flávio, apesar de procurado, mantém vida pública no país.
Traição histórica
Na sequência, Lula destacou que se reuniu por três horas com Trump e que, embora o encontro tenha abordado o tema do combate à criminalidade, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, "não estava lá".
O presidente lamentou o papel de Flávio na decisão norte-americana. "O filho de um bolsonarista, que é candidato às eleições neste país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir aos Estados Unidos e pedir intervenção americana no Brasil", disparou.
"Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado", acrescentou, em referência histórica ao traidor da Inconfidência Mineira.
No segmento final do evento, Lula sugeriu que o clã Bolsonaro teria envolvimento com milícias ao afirmar que, se Flávio e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, fossem aos Estados Unidos pedir intervenção para prender milicianos, "eles ficavam presos lá".