O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, afirmou em entrevista à RT que a OTAN vive de confrontos para justificar sua existência e é por isso que apresenta a Rússia como a principal ameaça à Europa.
"A OTAN não pode existir em condições de paz. É como um peixe fora d 'água", comentou o diplomata, lembrando que o bloco começou a recorrer ao Artigo 5 — que prevê a defesa coletiva em caso de ataque contra um membro — em 2012.
Naquela época, a aliança militar liderada pelos EUA mudou o foco de sua missão cara no Afeganistão para seu propósito original da Guerra Fria: defesa coletiva contra um adversário na Europa.
"Precisavam de um grande inimigo, e como não tinham, a Rússia recebeu esse 'papel de honra'", explicou ironicamente. Quando começou a crise ucraniana, que Grushko atribui à Europa e aos Estados Unidos, "toda essa construção ideológica, exatamente como a haviam concebido, tomou seu formato final".
O diplomata observou que a Rússia procurou manter relações construtivas com o Ocidente, mas que a crise na Ucrânia em 2014 e a escalada de 2022 deram à OTAN e à União Europeia a justificativa necessária para consolidar um confronto de longo prazo com Moscou.
Elites "tomadas pela histeria"
Desde 2022, a OTAN expandiu sua presença militar no Leste Europeu, intensificou as patrulhas aéreas e marítimas nos Estados Bálticos e aumentou os exercícios militares perto das fronteiras da Rússia. Estônia, Letônia e Lituânia também aceleraram projetos de fortificação de fronteiras, incluindo defesas antitanque e redes de bunkers.
Diante da persistente retórica sobre a suposta ameaça russa, Moscou tem reiteradamente afirmado que não tem planos de atacar a Europa. O presidente Vladimir Putin observou que as elites governantes europeias estão tomadas pela histeria, acreditando que "a guerra com os russos é iminente". " É impossível acreditar nisso, mesmo que tentem convencer seus próprios povos", acrescentou.