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Gigantes da IA divergem quanto à chegada de 'apocalipse do trabalho'

O diretor executivo da OpenAI afirma que a tecnologia não eliminou tantos empregos administrativos quanto se temia, enquanto o cofundador da Anthropic vê "uma possibilidade real" de que a inteligência artificial substitua o trabalho humano em grande escala.
Gigantes da IA divergem quanto à chegada de 'apocalipse do trabalho'Gettyimages.ru / Colin Anderson Productions pty ltd

A inteligência artificial acabará com nossos empregos ou tudo não passou de um alarme falso? Diante do rápido avanço tecnológico, os gigantes do setor não conseguem chegar a um consenso.

Na mesma semana, duas das figuras mais influentes do setor de IA apresentaram visões completamente opostas sobre o futuro do emprego humano, deixando claro que a incerteza no mercado de trabalho está longe de ser resolvida.

O diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou na terça-feira (26) que o rápido avanço da inteligência artificial não provocou a destruição em massa de empregos que ele temia anos atrás.

Durante uma conferência organizada pelo Commonwealth Bank of Australia em Sydney, ele reconheceu que suas previsões sobre as consequências sociais e econômicas da tecnologia estavam erradas, informou a Reuters.

Altman observou que, quando a OpenAI lançou o ChatGPT em 2022, ele estava preocupado com o possível impacto sobre os empregos administrativos de nível básico.

No entanto, agora ele considera que a realidade foi diferente e que a inteligência artificial não eliminou tantos postos de trabalho de escritório quanto ele temia.

"Estou muito feliz por ter me enganado", afirmou o executivo. Segundo ele, a OpenAI acertou em grande parte suas previsões tecnológicas, mas errou ao estimar a velocidade e a magnitude das mudanças que a IA teria sobre o mercado de trabalho.

"Eu achava que a eliminação de empregos de escritório de nível básico teria um impacto maior do que realmente ocorreu", declarou Altman. "Não acredito que vamos sofrer esse apocalipse laboral de que falam ou que defendem algumas das empresas do nosso setor" afirmou.

Opinião contrária

Na mesma semana, Chris Olah, cofundador da Anthropic, empresa do setor de IA, previu que existe uma "possibilidade real" de que a IA substitua o trabalho humano em grande escala. Caso isso ocorra, apoiar essas pessoas deslocadas "será um imperativo moral de proporções históricas", afirmou durante a apresentação da primeira encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial.

Olah destacou a necessidade de "imaginação moral e ambição" no desenvolvimento humano caso os modelos de IA se generalizem, e reconheceu a preocupação dos pais com o bem-estar de seus filhos e das pessoas com o futuro de seus empregos.

Ele ainda alertou que o diálogo atual ignora um desafio ainda maior: o desenvolvimento da IA está concentrado em um punhado de países ricos.

"Como garantiremos que os benefícios da IA sejam compartilhados globalmente? Não temos um mecanismo para isso. É um problema não resolvido", observou.