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Embaixador de Israel na ONU se irrita com secretário-geral e diz que 'relação acabou'

A decisão foi tomada depois que a organização informou que vai incluir Israel na lista negra sobre violência sexual em zonas de conflito.
Embaixador de Israel na ONU se irrita com secretário-geral e diz que 'relação acabou'Gettyimages.ru / Lucas Mukasa

A missão permanente de Israel junto às Nações Unidas anunciou na quinta-feira (28), em sua conta no X, que o embaixador Danny Danon, chefe da delegação, rompeu relações com o secretário-geral da organização, António Guterres. 

Segundo a publicação, isso aconteceu depois que "o chefe de gabinete do Secretário-Geral da ONU ligou para o Embaixador Danon para informá-lo oficialmente da decisão de incluir Israel e seus serviços de segurança na lista negra da ONU sobre violência sexual em zonas de conflito."

A mensagem salienta que esta é "a mesma lista que inclui terroristas do Hamas Nukhba", razão pela qual Danon rejeitou a medida "duramente e expôs as mentiras e a campanha política que o secretário-geral está tentando realizar às custas de Israel".

Agressão israelense

De acordo com um relatório de abril do West Bank Protection Consortium, uma aliança humanitária financiada pela UE, mais de 70% das famílias deslocadas da Cisjordânia entrevistadas observaram ameaças contra mulheres e crianças, particularmente a violência sexual, como fator decisivo para a fuga.

Dentro de suas próprias casas, os sobreviventes descreveram assédio, agressão e intimidação por parte dos israelenses, além de nudez forçada, humilhação sexual e tratamento degradante contra homens e meninos.

Um artigo do New York Times, publicado em meados de maio pelo colunista Nicholas Kristof expõe casos de "violência sexual generalizada contra homens, mulheres e até crianças, perpetrados por soldados, colonos, interrogadores do Shin Bet, o serviço de segurança interna [de Israel] e, sobretudo, por guardas prisionais".

Segundo a coluna, algumas vítimas foram espancadas nos órgãos genitais, estupradas com todos os tipos de objetos e até precisaram de internações prolongadas, além de cirurgias após os graves abusos.

Em resposta, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, alegaram que essa era "uma das mentiras mais flagrantes e distorcidas já publicadas contra o Estado de Israel na imprensa moderna, e que foi endossada pelo próprio jornal".

declaração emitida pelo gabinete de Netanyahu acrescentou que o primeiro-ministro e Sa'ar "ordenaram a abertura de um processo por difamação contra o The New York Times".

Entretanto, a Coalizão da Flotilha da Liberdade denunciou que os 422 ativistas internacionais detidos por Israel após a interceptação, em águas internacionais, de seus navios que se dirigiam a Gaza com ajuda humanitária, foram submetidos a "abusos e tratamento degradante".