Eduardo agradece Trump por classificar CV e PCC como terroristas e compara facções a Bin Laden

O filho de Jair Bolsonaro comemorou que facções poderão ser combatidas por "forças armadas norte-americanas".

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) agradeceu, nesta quinta-feira (28), ao presidente dos EUA, Donald Trump, após o governo norte-americano classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA e entra em vigor em 5 de junho.

"Acabou de sair a designação do Comando Vermelho e do PCC como grupos narcoterroristas. Assim, vai ficar muito mais difícil eles fazerem movimentações financeiras. Vão poder ser combatidos igual o (Osama) Bin Laden era", afirmou Eduardo em publicação nas redes sociais.

Segundo o parlamentar, a decisão amplia o alcance das ações norte-americanas contra as facções fora do território brasileiro.

"Qualquer atividade fora do país pode ser combatida pelas Forças Armadas norte-americanas. Esse é um grande dia", declarou.

Eduardo também direcionou agradecimentos ao secretário de Estado Marco Rubio e ao vice-presidente J.D. Vance, com quem se reuniu no dia anterior.

Risco à soberania nacional

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou ainda em março a possibilidade de designação. Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, ele advertiu que a medida traz consequências diretas para a soberania brasileira, já que, em determinadas legislações, como a dos Estados Unidos, pode ser usada para justificar medidas mais drásticas, como uma intervenção militar direta.

"Pode inclusive justificar a intervenção militar em outro país. (...) Isso permitiria que o exército, as Forças Armadas, ou qualquer tipo de força americana, viesse ao território brasileiro, invadisse o território brasileiro para exterminar grupos terroristas, o que fosse", advertiu Vieira na ocasião.

O chanceler enfatizou que o Brasil não pode aceitar esse tipo de enquadramento, tanto por razões legais quanto políticas. "Há um impedimento legal" e, além disso, "não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco ou nas mãos de países estrangeiros", disse.