O Irã enfrenta qualquer possível negociação com os EUA exclusivamente a partir da força de suas capacidades militares e de seu poder interno, devido à absoluta desconfiança em relação a Washington, que jamais cumpre seus compromissos, afirmou o dirigente de segurança Ali Bagheri em entrevista à Al Mayadeen publicada nesta quinta-feira (28).
Nesse contexto, ele destacou que "não se pode confiar nos americanos, já que sua natureza se baseia no descumprimento das obrigações", e afirmou que "a principal causa da instabilidade e insegurança na região é a presença americana e a entidade sionista".
O dirigente iraniano insistiu que o Irã se apoia apenas em "suas capacidades internas não declaradas, suas Forças Armadas e seu povo" para enfrentar qualquer agressão, seja militar ou por meio de sanções ilegais.
Além disso, ressaltou que o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, "constitui um dos princípios fundamentais de qualquer negociação ou acordo".
Trégua frágil
Embora os quase 40 dias de intensas hostilidades tenham cessado em 7 de abril com uma trégua entre os EUA e o Irã, as tensões permanecem entre as duas partes devido ao fracasso das negociações de paz, à troca de ataques verbais e ao bloqueio naval mútuo de embarcações comerciais no golfo Pérsico e no mar Arábico.
Na quarta-feira (27), o Irã realizou um ataque de retaliação contra posições dos EUA na região após uma ofensiva de Washington contra uma instalação militar iraniana na área de Bandar Abbas.
Ao mesmo tempo, o Axios informou que as equipes negociadoras dos EUA e do Irã chegaram a um acordo sobre um memorando de entendimento de 60 dias para estender o cessar-fogo e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas Trump ainda não deu sua aprovação final. Teerã, no entanto, ainda não confirmou essa informação.
- Donald Trump afirmou no sábado (23) que um acordo de paz com o Irã estaria próximo após uma "muito boa" conversa telefônica com líderes do Oriente Médio e disse que os detalhes finais ainda estavam sendo negociados, escreveu em sua conta na Truth Social..
- Apesar disso, o presidente norte-americano não deixou de fazer ameaças ao país. No mesmo dia, afirmou que havia "50%" de chances de alcançar um acordo com o Irã ou, caso contrário, de "fazê-los voar pelos ares", retomando a guerra.
Nesta segunda-feira, os EUA realizaram ataques no sul do Irã para "proteger" tropas americanas na região contra possíveis "ameaças" vindas do país persa. Na quarta-feira (27), a Reuters informou que o Exército dos EUA bombardeou uma instalação militar iraniana na região do Estreito de Ormuz.