Após apenas um ano no poder na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz enfrenta uma crescente onda de problemas.
Em meio à queda nas pesquisas, dificuldades econômicas e descontentamento interno, integrantes da União Democrata Cristã (CDU, na sigla em alemão) passaram a discutir com cada vez mais frequência a possibilidade de sua substituição.
Rumores sobre substituição do chanceler
Na terça-feira (26), o jornal Bild informou que a cúpula da CDU debate um "cenário explosivo": a possibilidade de substituir o chanceler por outro político antes das próximas eleições.
Por enquanto, tratam-se de discussões a portas fechadas dentro dos círculos do partido. A mera existência desse tipo de conversa, no entanto, se tornou um sinal do crescente descontentamento com a situação atual.
Em círculos mais restritos, políticos analisaram se essa possibilidade realmente existe e, em caso afirmativo, até que ponto ela seria viável.
Segundo a publicação, muitos integrantes do partido evitam criticar Merz abertamente por medo de vazamentos para a imprensa e acusações de minar a unidade partidária. Como resultado, os verdadeiros sentimentos não são debatidos em reuniões oficiais, mas em conversas privadas e discussões de bastidores. Ao mesmo tempo, a legislação alemã permite um cenário desse tipo sem a necessidade de novas eleições.
Quem poderia substituir Merz?
Dentro do próprio partido, já há discussões sobre possíveis sucessores do chanceler. Segundo o Bild, uma pessoa próxima a Merz afirmou que o político leva muito a sério as críticas públicas e que poderia renunciar caso fracassasse o grande projeto de reformas. Outra fonte do jornal contradisse essa avaliação e afirmou que Merz tem grande perseverança e não abandonará voluntariamente o cargo pelo qual lutou tanto.
No entanto, caso a decisão seja tomada, vários líderes regionais são cogitados como possíveis sucessores de Merz, entre eles o primeiro-ministro da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wust; o chefe do governo de Hesse, Boris Rhein; e o primeiro-ministro da Saxônia, Michael Kretschmer.
Fontes do jornal afirmam que Hendrik Wust foi apontado de forma unânime como possível sucessor. Segundo dados do Die Welt, ele ocupava em 2024 o segundo lugar no ranking dos políticos mais populares da Alemanha e atualmente segue entre os três primeiros.
Crise de popularidade
No ano em que está no poder, o índice de aprovação do chanceler caiu de 47% para 26%, enquanto a rejeição à sua gestão dobrou, alcançando 71%.
"A popularidade de Friedrich Merz está em um nível baixo devido aos problemas internos da Alemanha, que se tornam cada vez mais evidentes, principalmente os econômicos e sociais. Muitos eleitores consideram que parte das promessas de campanha relacionadas às reformas econômicas e ao endurecimento da política migratória nunca foram plenamente cumpridas", declarou o especialista em Alemanha Ivan Kuzmin em entrevista à RT.
O chanceler chegou inclusive a começar a criticar abertamente a guerra dos EUA contra o Irã, à qual inicialmente não havia se oposto na esperança de melhorar seus índices de popularidade.
"A retórica contundente de Merz é voltada para o público interno e tem como objetivo mostrar ao eleitorado que o chanceler está tomando medidas para contribuir para um fim mais rápido do conflito e, em essência, 'jogar' com os sentimentos dos eleitores", acrescentou Kuzmin.
Nesse contexto, aos olhos da população alemã, Merz aparece de forma decepcionante em suas tentativas de desviar a indignação dos alemães da agenda interna para circunstâncias externas.
No entanto, parece que o efeito dessas mudanças ainda não convence grande parte da população.
Em uma pesquisa recente do INSA e do Bild, o mandatário foi apontado como o político mais impopular da Alemanha, ocupando a 20ª posição.
E as declarações de Merz de que "nossa ilusão de prosperidade não vai durar" não contribuem para melhorar sua situação.
Mudança de chanceler não alterará o resultado
No entanto, a oposição duvida que a substituição de um chanceler por outro possa mudar radicalmente o rumo de Berlim.
"Seja Merz ou Wust, a CDU continua fiel à sua política de declínio. Uma mudança de nomes não resolve nenhuma crise. Os eleitores querem uma mudança real, não apenas uma reorganização no topo do poder. Apenas a Alternativa para a Alemanha (AfD) oferece uma alternativa genuína", declarou o partido AfD, que se tornou o mais popular do país, com índice de aprovação de 29%.
Por sua vez, a fundadora do partido opositor alemão Aliança Sahra Wagenknecht–Pela Razão e Justiça (BSW, na sigla em alemão), Sahra Wagenknecht, pediu a renúncia de Merz e convocou os alemães a irem às ruas de Berlim em 28 de maio.
"Fraude eleitoral sem precedentes, crise econômica, preços nas alturas, ameaça de guerra cada vez maior: o balanço após um ano de Merz como chanceler é uma catástrofe! Se este governo continuar assim por mais três anos, a Alemanha quase não terá salvação", escreveu no X.
"Venham todos e tragam seus familiares e amigos. Juntos exigimos: Merz deve sair!", concluiu a opositora.