A profunda fascinação por gatos no Japão evoluiu de um fenômeno cultural para um enorme motor econômico, segundo um relatório recente do jornal The Guardian publicado na quarta-feira (27). Estima-se que esse boom, conhecido como "economia felina", movimentará bilhões no país apenas neste ano.
A influência dos felinos é evidente em todos os aspectos da sociedade japonesa. Da literatura clássica, como o aclamado romance "Eu Sou um Gato", de Natsume Soseki, às preferências por esses animais de estimação entre figuras de destaque, como o imperador, a imperatriz e a primeira-ministra Sanae Takaichi. De fato, nos lares japoneses, os 8,8 milhões de gatos e os 6,8 milhões de cães superam, juntos, o número de crianças menores de 15 anos.
Contribuição bilionária
O professor emérito Katsuhiro Miyamoto, da Universidade de Kansai, estima que, em 2026, os gatos contribuirão com aproximadamente 3 trilhões de ienes ( o equivalente a 95,1 bilhões de reais), o que representa um aumento de quase 30% em relação a onze anos atrás, informou o jornal Asahi Shimbun. O impacto é tão significativo que Miyamoto o compara à Expo Universal de Osaka 2025, evento internacional que durou seis meses e que, segundo estimativas, gerou 3,6 trilhões de ienes (25,5 bilhões de dólares).
"Isso está gerando um efeito econômico comparável, o que demonstra que os gatos contribuem significativamente para a economia japonesa", afirmou o professor.
A relação do Japão com os gatos tem origem milenar. Acredita-se que esses animais chegaram ao país durante o período Nara (710-794 d.C.), vindos da China, inicialmente para proteger manuscritos religiosos de roedores. Esse papel lhes garantiu um status especial que perdura até hoje, refletido em símbolos como o Maneki Neko, a popular figura do gato que acena e é considerada um amuleto de boa sorte em comércios e residências.
A "economia felina" continuará em alta?
O futuro dessa "economia felina" pode enfrentar desafios.
Miyamoto acredita que, embora a atual inflação acelerada mantenha seu impacto em um "nível relativamente alto", o setor pode começar a perder força quando os preços se estabilizarem. Essa possível queda também está relacionada ao envelhecimento da população japonesa, o que pode levar, no longo prazo, à redução do número de gatos como animais de estimação.
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