O número de jovens entre 16 e 24 anos fora do mercado de trabalho e que também não estudam no Reino Unido passou de 1 milhão pela primeira vez desde 2013, segundo dados oficiais divulgados nesta semana, informou o jornal britânico Independent nesta quinta-feira (28).
O levantamento foi conduzido por Alan Milburn, ex-ministro da saúde. Ele afirma que o país corre o risco de ter uma "geração perdida" sem medidas urgentes que contenham a crise.
Os nem-nem britânicos
O estudo aponta que os chamados "neet" — acrônimo em inglês para "Not in Employment, Education, or Training", equivalente aos "nem-nem" ("nem trabalha nem estuda") no Brasil, — já custam 125 bilhões de libras (cerca de R$ 851 bilhões) por ano à economia britânica, valor superior ao gasto nacional com educação e quase o dobro do orçamento da defesa.
Sem mudanças rápidas, a projeção é que o índice passe de um em cada oito para um em cada seis jovens até 2031.
Milburn atribui o problema à escassez de empregos de entrada e ao que chamou de "fracasso de um sistema preso ao passado".
"Seis em cada dez nunca tiveram um emprego. [...] O afastamento deixou de ser temporário", afirmou.
Segundo o estudo, 84% desses jovens gostariam de trabalhar ou estudar, mas encontram barreiras no sistema. O país perdeu 1,6 milhão de vagas de baixa e média qualificação, enquanto os programas de capacitação caíram 35% na última década.
Empresários culpam o aumento do salário mínimo e dos custos trabalhistas, alegando impacto na criação de vagas para iniciantes.
Para Milburn, porém, o foco deve ser ampliar oportunidades. "O sistema não pode ser apenas uma rede de proteção. Precisa servir como trampolim para o primeiro emprego", concluiu.