Uma pesquisa realizada pela empresa SUNLIGHT revelou um movimento crescente de pais na Rússia que tentam combater a dependência digital de seus filhos por meio de incentivos materiais, de acordo informações divulgadas pela mídia russa nesta quinta-feira (28).
Segundo o levantamento, cerca de metade dos responsáveis estaria disposta a pagar quantias em dinheiro ou oferecer bens de alto valor, como o primeiro carro ou viagens, para que os jovens desistam do uso de redes sociais.
O estudo aponta que a digitalização da infância e da adolescência gerou um profundo desconforto familiar. Dos pais entrevistados, 75% afirmaram que seus filhos já possuem contas ativas em diversas plataformas. O uso é mais intenso entre o público feminino, que lidera o engajamento digital em comparação aos meninos.
A preocupação dos responsáveis reflete uma sensação de perda de controle. Cerca de 62% dos pais têm uma visão negativa sobre o uso das redes sociais como forma de lazer, mas apenas um terço sabe exatamente quantas horas os filhos passam conectadas.
O cenário é agravado pelo sentimento de culpa: 54% dos entrevistados admitem sentir-se responsáveis por terem introduzido tecnologias digitais precocemente na vida dos filhos, e 80% declararam que, se pudessem voltar no tempo, não permitiriam o acesso a smartphones ou tablets na infância.
As estratégias de combate à dependência variam entre o conflito e a negociação. Embora os confrontos domésticos e o confisco de aparelhos ainda sejam táticas comuns, a transação financeira ganha força.
Atualmente, 26% dos pais já realizam pagamentos mensais para incentivar o afastamento do mundo virtual. Para quem busca o abandono total das plataformas, o nível de investimento é alto: 44% dos pais estariam dispostos a desembolsar até 50 mil rublos (aproximadamente R$ 3.300) por mês.
Além do dinheiro, as recompensas materiais figuram como grandes motivadores. O primeiro carro é o item mais desejado (39%), seguido por viagens (34%) e joias ou relógios (27%).
De forma surpreendente, 18% dos respondentes citaram até mesmo a oferta de um imóvel como um possível incentivo para que os jovens retomem atividades fora do ambiente digital.