
República autoproclamada na África pode se tornar aliado fundamental dos EUA contra Irã e houthis do Iêmen

A região conhecida como Somalilândia, um território que se separou da Somália em 1991, embora sem o apoio da ONU, poderia se tornar um aliado fundamental dos EUA na luta contra o Irã e os houthis que governam o Iêmen, informa a Fox News, citando analistas.
Com sua localização estratégica no Golfo de Áden, em frente ao Iêmen, a Somalilândia poderia fornecer aos EUA um porto de águas profundas e uma base aérea, o que representaria uma ameaça não apenas aos houthis, mas também para o Irã, facilitando assim uma ação militar de Washington. Analistas apontam que o envio de tropas americanas à Somalilândia permitiria uma resposta rápida caso os houthis bloqueiem o estreito de Bab el Mandeb, no Mar Vermelho, atualmente a única via de exportação de petróleo do Oriente Médio durante o bloqueio do Estreito de Ormuz.

"A Somalilândia oferece aos Estados Unidos o que os mulás mais temem neste cenário: uma plataforma alternativa e resiliente na costa africana, que inclui uma base aérea, um porto e acesso além do horizonte, o que diluiria a influência dos houthis e daria a Washington opções que não dependem exclusivamente de Djibuti ou de seus parceiros do Golfo Pérsico", afirmou Lisa Daftari, especialista em Oriente Médio e política externa e editora-chefe do The Foreign Desk.
« QUEM SÃO OS HOUTHIS, O PODEROSO E CRESCENTE MOVIMENTO REBELDE DO IÊMEN? SAIBA MAIS AQUI »
Obstáculos

Enquanto isso, Abdirahman Dahir Adam, ministro das Relações Exteriores da Somalilândia, país reconhecido apenas por Israel, declarou que o território está disposto a fornecer aos EUA acesso à sua costa, bem como instalações de armazenamento para mísseis Tomahawk. "Os contratorpedeiros americanos, que esgotam seus arsenais de mísseis no Mar Vermelho, atualmente precisam de até duas semanas para se reabastecer. A Somalilândia está disposta a desempenhar um papel prático para ajudar os Estados Unidos a garantir a segurança das rotas comerciais mundiais", afirmou.
No entanto, essa cooperação enfrenta inúmeros obstáculos, sendo um deles a falta de reconhecimento dos Estados Unidos à Somalilândia, o que impede Washington de estabelecer relações diplomáticas e militares diretas com o território sem passar pelo governo federal da Somália. O senador Ted Cruz, republicano do Texas e presidente da Subcomissão do Senado para a África e Saúde Global, defende o reconhecimento da Somalilândia, argumentando que ela poderia se tornar "um aliado crucial dos Estados Unidos na luta contra o terrorismo".
Por outro lado, os EUA mantêm sua aliança com a Somália, conforme confirmou um porta-voz do Pentágono. Além disso, o país norte-americano já conta com uma importante base no Mar Vermelho, em Djibuti. No entanto, a presença militar e comercial da China nesse país africano suscita cada vez mais inquietação entre os especialistas, o que os leva a questionar a confiabilidade de Djibuti como parceiro para Washington.
- O governo da Somália considera a Somalilândia parte integrante do país, apesar de o território ser administrado de forma autônoma desde 1991, com seus próprios passaportes, moeda, exército e polícia. Em dezembro passado, Israel tornou-se a única nação do mundo a reconhecer sua independência.
- A União Africana e a maioria dos países árabes apoiaram a Somália e condenaram a medida. Por sua vez, os EUA defenderam o que consideram ser o direito de Israel de reconhecer um Estado. No entanto, Donald Trump afirmou que era improvável que fizesse o mesmo, apesar da pressão de alguns membros do Partido Republicano.
