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Comando Vermelho envia integrantes à Ucrânia para treinar uso de drones, diz polícia

Apuração da segurança pública do Rio aponta que a facção teria financiado viagens ao Leste Europeu para obter técnicas de combate e ampliar o uso de drones no tráfico.
Comando Vermelho envia integrantes à Ucrânia para treinar uso de drones, diz políciaReprodução/Divulgação/Polícia Civil RJ

A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro investiga a suspeita de que o Comando Vermelho tenha financiado viagens de integrantes ao Leste Europeu para atuar no conflito na Ucrânia e trazer ao Brasil técnicas de combate e operação de drones de grande porte, segundo informou o portal Agenda do Poder.

De acordo com a apuração, a facção teria bancado passagens aéreas de integrantes sem antecedentes criminais, que deixariam o país por rotas europeias antes de chegar ao território ucraniano.

Ao retornar ao Rio de Janeiro, eles teriam a função de repassar a traficantes conhecimentos sobre o uso de veículos aéreos não tripulados no transporte de armas e drogas.

A preocupação das autoridades aumentou após imagens captadas por aeronaves da Polícia Militar registrarem um treinamento com um drone de grande porte em área controlada pela facção.

Segundo a polícia, o equipamento teria cerca de três metros de extensão e capacidade para transportar até 80 quilos, o equivalente a aproximadamente 20 fuzis FAL 762 sem carregadores.

Suspeitos já haviam sido identificados

O delegado Pablo Sartori, subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, afirmou ao portal que dois brasileiros que teriam participado do conflito já foram identificados e passaram a ser investigados pela Polícia Civil.

"Foi produzido um relatório encaminhado à Polícia Civil, e eles estão sendo investigados. A prisão deles é questão de tempo", disse Sartori.

Segundo a investigação, os suspeitos não entrariam diretamente na Ucrânia. A rota passaria por países como Portugal e Holanda, com desembarque em Lisboa ou Amsterdã, seguida por deslocamento até a Sérvia e entrada por via terrestre em território ucraniano.

Denúncias chegaram à imprensa em 2025

As suspeitas sobre a ida de integrantes do Comando Vermelho ao conflito na Ucrânia já haviam aparecido em reportagens publicadas em 2025.

Em novembro daquele ano, a Folha de S.Paulo informou que a Polícia Civil do Rio de Janeiro investigava Philippe Marques Pinto, de 29 anos, apontado como integrante da facção, por suspeita de ter viajado à Ucrânia para aprender técnicas de combate.

No mesmo dia, o UOL publicou que a Polícia Civil havia identificado três entradas de Philippe na Europa e imagens dele na Ucrânia. Segundo o portal, ele viajou do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, para Lisboa, antes de seguir para a região do conflito.

As reportagens afirmavam que Philippe tinha passagem por tráfico de drogas e era próximo de Antonio Hilário Ferreira, conhecido como Rabicó, apontado pela polícia como chefe do Comando Vermelho no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.