
Cuba sobre EUA: 'Com que lógica uma pequena ilha ameaçaria superpotência nuclear?'

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, foi questionado sobre uma suposta "ameaça" que a ilha representaria aos EUA, em uma entrevista à Fox News na terça-feira (26).
'O secretário de Estado, Marco Rubio, me disse na quinta-feira que o regime cubano representa uma ameaça direta à segurança nacional dos EUA. Ele mencionou um arsenal de drones militares fornecidos ao regime pelos russos e chineses. Aludiu a informações que surgiram nos EUA na semana passada, segundo as quais o governo cubano teria debatido inclusive em nível interno possíveis planos para atacar alvos militares americanos. É verdade isso?', perguntou a apresentadora do The Story, Martha MacCallum.
"Bem, Cuba é uma pequena ilha, com 100 mil quilômetros quadrados e 10 milhões de habitantes. Com que lógica, com que bom senso, haveria a ideia de que Cuba poderia representar uma ameaça para uma superpotência nuclear? Em segundo lugar, teríamos que perguntar ao Secretário de Estado se ele tem alguma prova. Já o ouvi mentir inúmeras vezes sobre esse assunto", respondeu Rodríguez.

Uma ideia que "só pode existir em uma mente doentia"
Por sua vez, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou em 22 de maio que a ideia de que a ilha "representa uma ameaça aos EUA só pode existir nas mentes doentias de alguns funcionários da atual administração americana". Ele os acusou de mentir para o povo americano e para o mundo a fim de "justificar uma nova guerra irracional", que teria um custo potencialmente alto em vidas humanas.
Ameaças de Trump a Cuba
- No dia 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declarava "emergência nacional", diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança do país norte-americano e da região.
- Sobre essas bases, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, somando-se a ameaças de represálias contra aqueles que agirem em sentido contrário à ordem executiva da Casa Branca.
- Em seguida, Trump reconheceu que sua Administração mantinha contatos com Havana e deu a entender que esperam chegar a um acordo, embora tenha qualificado o país caribenho como uma "nação em decadência" que "já não conta com a Venezuela" para se sustentar.
- Isso acontece em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta muito a economia do país, foi agora reforçado com medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
- "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue", disse o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
- Todas as acusações infundadas de Washington foram rejeitadas sistematicamente por Havana, que alertou que defenderá sua integridade territorial.
