'Mais uma vez, a mãe está enjaulada', escreve Deolane em carta da prisão

Influenciadora e advogada nega ligação com o PCC e afirma que prisão se baseia em pagamento de honorários advocatícios.

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra afirmou, em carta escrita na prisão, que nunca integrou o crime organizado e negou as acusações de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ela foi presa em 21 de maio, em Barueri, na Grande São Paulo, durante operação do Ministério Público e da Polícia Civil.

"Mais uma vez, a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião. Gostaria de expressar minha indignação, já que nunca fiz parte do crime organizado. Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500 (valor de honorários que recebi na época como advogada)", afirmou Deolane. O texto foi ditado por ela à irmã, Dayanne Bezerra, que também é advogada.

A investigação começou em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, os documentos levaram a uma transportadora de cargas que seria usada para movimentar dinheiro do PCC e repassar valores a contas de terceiros, incluindo duas em nome de Deolane.

A defesa afirma que o valor recebido pela influenciadora corresponde a honorários advocatícios e não teria sido depositado pela transportadora mencionada no inquérito. Na carta, Deolane também negou ter frequentado a Penitenciária de Presidente Venceslau.

"Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau. Já disse muitos "nãos" para manter meus princípios e minha ética", disse.

Deolane está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. No domingo (24), o Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido de habeas corpus em caráter liminar apresentado pela defesa. Os advogados aguardam o julgamento do mérito e avaliam recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Um dia antes, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia rejeitado pedido de prisão domiciliar por considerar que não houve "manifesta ilegalidade" na prisão.