Quase 70% das áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento entre agosto de 2025 e abril de 2026, segundo dados do Imazon divulgados nesta segunda-feira (25). O levantamento aponta que 262 terras indígenas e 220 unidades de conservação ficaram sem registro de derrubada no período.
Os dados fazem parte do Sistema de Alerta de Desmatamento, que monitora a cobertura vegetal da Amazônia por imagens de satélite. No acumulado de nove meses, a perda de floresta somou 1.635 km², queda de 35% em relação ao mesmo intervalo anterior e o menor patamar em oito anos para o período.
Em abril de 2026, o SAD detectou 175 km² de desmatamento na Amazônia Legal. O resultado representa redução de 25% na comparação com abril de 2025, quando foram registrados 234 km².
A maior parte da derrubada ocorreu fora de terras indígenas e unidades de conservação. Segundo o levantamento, 79% do desmatamento de abril foi identificado em áreas privadas ou sob diferentes estágios de posse. Assentamentos responderam por 13%, unidades de conservação por 7% e terras indígenas por 1%.
Mato Grosso concentrou 40% do desmatamento registrado em abril. Em seguida aparecem Pará, com 24%, Amazonas, com 22%, Roraima, com 8%, Maranhão, com 3%, Rondônia, com 2%, e Acre, com 1%.
O Maranhão teve a maior alta proporcional no mês, com avanço de 150% em relação a abril de 2025. A área desmatada no estado passou de 2 km² para 5 km². Roraima registrou aumento de 100%, enquanto o Pará teve alta de 62%. O Amazonas apresentou queda de 59%, ao passar de 93 km² para 38 km².
O SAD também identificou 50 km² de florestas degradadas em abril, o dobro do registrado no mesmo mês de 2025. A degradação foi detectada em Mato Grosso, Pará e Roraima.
"Historicamente, as áreas protegidas são os territórios que menos registram desmatamento. Por isso, é muito importante que os governos federal e dos Estados priorizem áreas públicas ainda sem uso definido na Amazônia para a criação de terras indígenas e unidades de conservação, uma ação efetiva para chegar à meta de desmatamento zero em 2030", declarou a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim.