País demonstra que a semana de trabalho de quatro dias é viável

"Debate sobre a semana de trabalho de quatro dias é especialmente relevante em um contexto no qual a inteligência artificial aumenta a produtividade", explicou o responsável pela pesquisa.

Um estudo realizado na Austrália e publicado na quarta-feira (13) concluiu que a semana de trabalho de quatro dias pode ser mantida sem afetar a produtividade e até melhorar o desempenho das empresas.

A pesquisa, publicada na revista científica Humanities and Social Sciences Communications, da Nature, acompanhou durante dois anos 15 empresas australianas que implementaram o modelo "100:80:100": 100% do salário, 80% do tempo de trabalho e 100% da produtividade.

Os resultados foram notáveis: 14 das 15 empresas decidiram manter o sistema após o fim do período de testes, e nenhuma registrou queda no indicador analisado. Seis companhias inclusive aumentaram seu desempenho, enquanto as demais afirmaram que os níveis permaneceram estáveis.

Eliminar o esgotamento profissional

O estudo, liderado pelo professor John Hopkins, da Universidade Deakin, abrangeu setores muito diversos — como tecnologia da saúde e até administração imobiliária —, o que reforçou a validade dos resultados.

Os pesquisadores destacaram que muitas empresas não adotaram a mudança apenas para produzir mais, mas também para combater o esgotamento profissional. De fato, seis companhias indicaram que reduzir o desgaste no trabalho foi sua principal motivação.

Uma das principais conclusões foi que as empresas não simplesmente comprimiram cinco dias de trabalho em quatro. Em vez disso, reorganizaram processos internos, eliminaram reuniões desnecessárias e automatizaram tarefas pouco eficientes para otimizar o tempo.

"O debate sobre a semana de trabalho de quatro dias é especialmente relevante em um contexto no qual a inteligência artificial aumenta a produtividade", explicou Hopkins, sugerindo que parte desses benefícios tecnológicos poderia se traduzir em mais tempo livre para os trabalhadores.

Apesar dos resultados positivos, os especialistas advertiram que algumas vantagens podem estar relacionadas ao "efeito novidade" e destacaram que setores como saúde, logística ou emergência enfrentam maiores dificuldades para aplicar esse modelo.