União Europeia alerta para estagnação da atividade econômica após guerra no Oriente Médio

Projeções da Comissão Europeia reduzem crescimento do PIB para 1,1% e elevam inflação a 3,1% neste ano.

Os ministros das Finanças da União Europeia, reunidos na semana passada em Nicósia, no Chipre, advertiram que o conflito no Oriente Médio está gerando uma clara tendência à estagflação — estagnação econômica acompanhada de inflação elevada. A informação foi publicada pelo jornal alemão Welt, no sábado (23).

"Junho será pior que maio, e julho pior que junho", declarou o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, que ressaltou que a Europa enfrenta uma clara "pressão estagflacionária". Segundo as últimas projeções da Comissão Europeia, o crescimento do PIB da UE ficará limitado a 1,1% neste ano, enquanto a inflação subirá para 3,1%, um ponto percentual acima do previsto inicialmente. O Welt classificou a situação como "um pesadelo para os europeus".

Por sua vez, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, enfatizou que os preços permanecerão elevados durante algum tempo devido ao choque energético, mas lançou um alerta aos governos europeus: "As medidas devem ser temporárias, específicas e adaptadas a cada situação".

Um estudo da Bruegel, um centro de estudos econômicos sediado na Bélgica, revelou que os 27 países da União Europeia destinaram 10,4 bilhões de euros para mitigar os efeitos da guerra no Irã, mas 80% desse valor está sendo diluído em medidas generalistas — como reduções de impostos ou descontos em combustíveis — em vez de proteger as famílias mais vulneráveis ou impulsionar mudanças estruturais, como energias renováveis. Lagarde criticou justamente esse tipo de medida ampla.

O Welt alertou para um cenário desalentador: muitos governos europeus lançaram programas que parecem atrativos e aliviam momentaneamente a situação, mas que provavelmente não terão efeito duradouro. Segundo a análise, a Europa continua arrastando sua principal fraqueza: a dependência de matérias-primas provenientes de regiões distantes.

Pierrakakis reiterou que o bloqueio do Estreito de Ormuz não afeta apenas petróleo e gás, mas também fertilizantes, essenciais para a agricultura europeia. Para aliviar a pressão sobre os agricultores, Bruxelas decidiu eliminar durante um ano as tarifas sobre fertilizantes nitrogenados importados de todos os países, exceto Rússia e Belarus.