A crise política e social na Bolívia ganhou novos capítulos neste domingo (24) após o ex-presidente Evo Morales acusar os Estados Unidos de "intromissão" na política do país em meio à onda de protestos e bloqueios que atingem o território boliviano há mais de duas semanas.
Em publicação na rede X, Morales afirmou que o governo do presidente Rodrigo Paz Pereira segue uma "receita do imperialismo" ao tentar "privatizar" recursos naturais e "dividir" a população boliviana. O ex-presidente também criticou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o estrategista argentino Fernando Cerimedo, acusando ambos de influenciarem o governo boliviano.
Morales afirmou que Paz "convoca de maneira hipócrita ao diálogo" enquanto acusa líderes sociais de crimes e promove ordens de prisão contra dirigentes. Segundo ele, o presidente tem "apenas dois caminhos": "militarizar" o país ou promover uma "pacificação e transição" com eleições em até 90 dias, "como estabelece a Constituição".
Os atos
Os protestos começaram com reivindicações ligadas a salários, acesso a combustíveis e críticas à revogação da lei de terras. Agora, milhares de manifestantes concentrados em La Paz exigem a renúncia do presidente, em meio a confrontos e ações das forças de segurança.
Rodrigo Paz Pereira afirmou que as manifestações possuem caráter "insurrecional" e recebeu apoio público dos Estados Unidos. Marco Rubio declarou que Washington apoia "plenamente o Governo constitucional legítimo da Bolívia" e afirmou que "não permitirá que criminosos e narcotraficantes derrubem líderes democraticamente eleitos".
No sábado (23), o presidente boliviano voltou a defender o diálogo com os setores mobilizados e disse que o governo mantém esforços para avançar nas negociações com organizações sociais.