O Ministério da Defesa da Rússia informou neste domingo (24) que as Forças Armadas do país lançaram, na noite passada, um ataque com mísseis hipersônicos Oreshnik contra uma série de alvos militares ucranianos, em resposta a ataques do regime de Kiev contra civis russos, em especial ao recente bombardeio, com vítimas, de uma residência estudantil na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk. Foi a terceira vez que essa nova arma foi usada em combate.
"Os objetivos do ataque foram alcançados e todas as instalações designadas foram destruídas", diz o comunicado do ministério.
"Um duelo tecnológico do século XXI"
Putin mencionou em várias ocasiões o poder e a eficácia do míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik. Em dezembro de 2024, após o primeiro uso do Oreshnik em combate, o presidente russo desafiou especialistas ocidentais que colocavam a efetividade do armamento em dúvida, propondo um experimento para testar, na prática, o quão eficiente o míssil seria. Quando foi informado de que analistas de países ocidentais afirmavam que o Oreshnik poderia ser derrubado por sistemas de defesa aérea durante a decolagem, Putin afirmou que se tratava de uma arma nova e que não poderia ser interceptada.
"Se esses especialistas ocidentais acreditam nisso, então que ofereçam a nós, e também àqueles no Ocidente e nos EUA que os pagam por essas análises, a realização de algum tipo de experimento tecnológico: digamos, um duelo tecnológico do século XXI", declarou.
"Que escolham um alvo a ser destruído, por exemplo, em Kiev. Concentrem ali todas as forças de defesa aérea e de defesa antimísseis, e nós atacaremos com o Oreshnik e veremos o que acontece", propôs o presidente russo.
"De todo modo, não descartamos isso, considerando que todos os sistemas de defesa aérea e antimísseis estão funcionando lá", acrescentou, em referência às armas ocidentais fornecidas ao regime de Kiev.
"Vamos fazer esse experimento, esse duelo tecnológico, e ver o que acontece. É interessante e acredito que seria útil tanto para nós quanto para a parte americana", reiterou Putin na ocasião.
Na noite passada, em Kiev e nos arredores, onde há grande concentração de sistemas antiaéreos ocidentais, como o Patriot, foram ouvidas várias explosões fortes, com as ogivas do Oreshnik conseguindo atravessar as camadas de defesa antiaérea do inimigo.
Sistema de mísseis sem precedentes
O Oreshnik é um novo míssil balístico russo de alcance intermediário, capaz de atingir velocidades hipersônicas de até Mach 10, cerca de 3 quilômetros por segundo. O alcance varia de 800 a 5.500 quilômetros. Segundo a descrição, em um ataque massivo o poder de destruição do Oreshnik poderia se equiparar ao de um ataque nuclear: tudo o que estiver no epicentro da explosão seria pulverizado.
Este seria o terceiro uso em combate dessa nova arma.
O primeiro emprego operacional do sistema teria ocorrido em 21 de novembro de 2024, quando, de acordo com o relato, o míssil destruiu com precisão a fábrica ucraniana Yuzhmash, um dos maiores complexos industriais herdados da era soviética. Horas depois, o presidente russo confirmou que o novo Oreshnik havia sido usado na ação.
"Foi testado em condições de combate um dos mais novos sistemas russos de mísseis de alcance intermediário. Neste caso, com um míssil balístico em equipamento hipersônico não nuclear", afirmou Putin. "Não há nenhuma possibilidade de derrubar esses mísseis", acrescentou.
O segundo lançamento do Oreshnik teria ocorrido em janeiro deste ano, em resposta a um atentado do regime de Kiev contra uma residência do presidente russo, Vladimir Putin, na província de Novgorod. Após o ataque, a Fábrica Estatal de Reparo de Aeronaves de Lvov teria ficado fora de operação.
Segundo o Ministério da Defesa, a instalação "era responsável pelo reparo e a manutenção de aeronaves das Forças Armadas da Ucrânia, incluindo aviões F-16 e MiG-29 doados por países ocidentais". O órgão também afirmou que a planta "fabricava drones de ataque de médio e longo alcance, usados em ofensivas contra alvos civis russos".