A Justiça da Itália anulou nesta sexta-feira (22) a decisão que autorizava a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil no processo relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), informou o portal g1. Segundo o advogado da defesa, Alessandro Sammarco, a decisão da Suprema Corte de Cassações também determinou a libertação da ex-parlamentar, presa nos arredores de Roma desde julho de 2025.
A Corte analisou um recurso apresentado pela defesa contra a decisão anterior da Corte de Apelações italiana, que havia dado aval ao pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Até o momento, o tribunal ainda não divulgou oficialmente o acórdão.
Apesar da decisão, outro pedido de extradição contra Zambelli continua em tramitação na Justiça italiana. O caso envolve a condenação da ex-deputada por porte ilegal de arma e ameaça com arma de fogo. O STF enviou apenas um pedido de extradição à Itália, mas a Justiça italiana separou os dois processos.
Defesa aponta falhas em decisão anterior
De acordo com a defesa, a Suprema Corte encontrou inconsistências na decisão anterior da Corte de Apelações. Sammarco afirmou que Zambelli deve deixar o presídio na manhã de sábado (23).
Em março, a Justiça italiana havia rejeitado o argumento da defesa de que a cidadania italiana impediria a extradição. Na ocasião, o tribunal afirmou que a nacionalidade da ex-deputada possuía "status meramente formal" e destacou que sua trajetória política e profissional foi construída no Brasil.
A sentença também citava o tratado bilateral de extradição firmado entre Brasil e Itália, em vigor desde 1993, que prevê cooperação entre os dois países para entrega de pessoas procuradas pela Justiça.
Processo depende de ministro italiano
Mesmo com a decisão judicial, o caso ainda será analisado pelo ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, responsável por emitir parecer final sobre a extradição. O prazo para manifestação é de até 45 dias após a publicação do acórdão.