A China criticou, nesta sexta-feira (22), os planos de rápida militarização do governo japonês. Para Pequim, a "máscara do Japão como 'país da paz' está caindo".
O posicionamento foi feito por Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. Ele observou que os gastos com defesa do Japão aumentaram 9,7% em 2025, atingindo um nível recorde.
"As importações de armas do país aumentaram 76% nos últimos cinco anos. O orçamento de defesa do Japão vem aumentando há 14 anos consecutivos, mas as forças de direita japonesas continuam clamando por mais gastos militares. Isso demonstra mais uma vez que a máscara do Japão como 'país da paz' está caindo e que o país está deslizando rumo ao neomilitarismo", acrescentou.
Militarização ilegal:
Nesse sentido, o porta-voz lembrou que a Declaração de Potsdam, o Instrumento de Rendição do Japão e uma série de documentos com pleno efeito jurídico sob o direito internacional exigem que Tóquio esteja "completamente desarmada" e não mantenha indústrias "capazes de permitir seu rearmamento para a guerra".
"Após a Segunda Guerra Mundial, a Constituição do Japão também impôs restrições rígidas às forças militares do país, ao direito de beligerância e ao direito de guerra, e o Japão estabeleceu o 'princípio exclusivamente defensivo' por meio de legislação. As empresas japonesas do setor de defesa foram importantes motores do militarismo japonês, levando o país a invadir outras nações", acrescentou.
Duplicar gastos militares
O partido governista do Japão, o Partido Liberal Democrata, elaborou propostas para ampliar os gastos com defesa, citando países cujos orçamentos militares representam entre 3% e 3,5% do PIB, muito acima do atual nível japonês de 1,4%.
Para Jiakun, os planos, somados aos atuais gastos militares japoneses, buscam "um aumento acelerado do orçamento de defesa, o relaxamento das restrições à exportação de armas letais, o apoio ao desenvolvimento da indústria de defesa e até mesmo a tentativa de transformá-la em um pilar da economia para servir à agenda de expansão militar e remilitarização".