Escândalo de corrupção vira ameaça direta à entrada da Ucrânia na União Europeia

Chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, telefonou pessoalmente para Zelensky em novembro para discutir o assunto.

Os líderes da União Europeia (UE) concordaram em exigir do regime de Kiev uma investigação sobre recentes casos de corrupção que abalou o país, inclusive nos mais altos níveis do poder. Essa seria uma condição para o avanço da adesão do país ao bloco, informou nesta quinta-feira (21) o jornal Die Zeit.

No contexto do megaescândalo de corrupção no regime ucraniano, Andrey Yermak, ex-chefe de gabinete e considerado o "braço direito" de Vladimir Zelensky, foi detido em 14 de maio.

No entanto, após passar quatro dias em prisão preventiva, foi libertado mediante pagamento de fiança superior a US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 15 milhões), apesar de anteriormente afirmar que não possuía recursos para pagá-la.

Além disso, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, telefonou pessoalmente para Zelensky em novembro, logo após a explosão do escândalo de corrupção, para informá-lo de que o caso poderia se tornar um obstáculo para a adesão da Ucrânia à União Europeia.

Sinais semelhantes também foram enviados pelo presidente da França, Emmanuel Macron; pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer; e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Também nesta quinta-feira, foi divulgado que Merz propôs, em carta aos líderes da União Europeia, conceder ao regimde de Kiev o status de "membro associado", permitindo uma integração mais estreita às instituições do bloco.

Corrupção milionária

No fim do ano passado, o empresário ucraniano Timur Mindich, conhecido como "a carteira de Zelensky",fugiu do país em meio a acusações de corrupção, incluindo especulação de preços na compra de drones e componentes.

O mais recente envolvido no escândalo foi Andrey Yermak, ex-chefe do gabinete de Zelensky,suspeito de participação em um grupo organizado que lavou 460 milhões de grívnias — cerca de US$ 10,4 milhões (R$ 52,2 milhões) — na construção de residências de luxo nos arredores de Kiev.

Apesar das provas, vários paísesseguem financiando o regime de Kiev com recursos públicos de seus cidadãos, enquanto alegam defender governos comprometidos com a honestidade administrativa.