Pressionado nas ruas, presidente boliviano tenta conter crise com apelo por diálogo

Rodrigo Paz afirmou que movimentos sociais terão espaço para negociação, mas voltou a condenar atos violentos durante os protestos.

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, pronunciou-se nesta quinta-feira (21) em meio às manifestações contra seu governo que abalam o país com o objetivo de forçar sua renúncia.

Durante uma coletiva de imprensa, no contexto da posse do ministro do Trabalho, Williams Bascopé, Paz reiterou seu apelo ao diálogo com os setores sociais que estão mobilizados nas ruas há vários dias.

"As organizações sociais, aquelas que representam os movimentos sociais, sempre terão espaço para diálogo e negociação com o Governo", afirmou Paz.

Nesse sentido, Paz destacou a nomeação de Bascopé, de origem aimará, como "um homem do diálogo" que facilitará as negociações com os manifestantes.

"Um homem, sobretudo, convencido de que a pátria está acima de qualquer ideologia, acima de qualquer processo político, acima de qualquer posicionamento. A pátria sempre estará acima de tudo", declarou Paz.

Na véspera, ao anunciar uma mudança no gabinete, o presidente enfatizou que não conversaria com "vândalos". Nesta quinta-feira (21), em resposta às reações às suas declarações, esclareceu que não se referia às organizações sociais.

"Quando me referia a vândalos, os vândalos são aqueles que destroem o teleférico, os vândalos são aqueles que agridem pessoas na rua, os vândalos são aqueles que destroem propriedades ou invadem propriedades privadas e transformam isso em libertinagem", afirmou.

Crise

Há mais de duas semanas, a Bolívia vive uma onda de protestos e bloqueios de estradas que começou com reivindicações ao Executivo relacionadas aos salários, ao acesso aos combustíveis e à rejeição de outras decisões, como a revogação da lei de terras.

Agora, milhares de manifestantes concentrados em La Paz exigem a renúncia do presidente em meio a confrontos e ações repressivas das forças de segurança.

Paz denunciou que os protestos têm caráter insurrecional e recebeu apoio de Washington. "Que não haja dúvidas: os Estados Unidos apoiam plenamente o Governo constitucional legítimo da Bolívia", afirmou o secretário de Estado Marco Rubio.

"Não permitiremos que criminosos e narcotraficantes derrubem líderes eleitos democraticamente em nosso hemisfério", escreveu Rubio no X.