Cumplicidade no silêncio: Irã denuncia inação europeia diante da humilhação de ativistas sequestrados por Israel

Baqaei lembrou que, na década de 1930, a Europa se confortava com a ilusão de que poderia permanecer em silêncio e imune à degradação sistemática da dignidade humana, do direito internacional e dos princípios morais básicos "sem pagar um preço".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou nesta quinta-feira (21) que as imagens do ministro israelensehumilhando ativistas humanitários algemados da Flotilha Global Sumud no porto de Ashdod são "profundamente chocantes".

Baqaei se referia a um vídeo publicado na conta oficial das redes do ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben-Gvir, em que o próprio aparece em uma colagem de gravações, debochando de ativistas pró-Palestina da flotilha interceptada, que tentava entregar ajuda humanitária a Gaza.

As imagens mostram as pessoas algemadas sendo forçadas a se ajoelhar enquanto o hino nacional israelense é executado.

Degradação sistemática da dignidade humana

Ele acrescentou que essas imagens evocam "os ecos mais sombrios da história" e momentos em que um regime, protegido da responsabilização, se considera "excepcional", "intocável" e "acima da lei".

Em sua publicação, Baqaei lembrou que, na década de 1930, a Europa se confortava com a ilusão de que poderia permanecer em silêncio e imune à degradação sistemática da dignidade humana, do direito internacional e dos princípios morais básicos "sem pagar um preço". Ele argumentou que a história ensinou uma lição "brutal" e que a normalização da ilegalidade "nunca se limitou" ao seu objetivo original.

O porta-voz afirmou que o perigo "vai muito além" da conduta de um funcionário israelense e apontou o problema subjacente como "silêncio cúmplice", "aceitação passiva" e "inação institucionalizada" diante da ocupação, do apartheid e do genocídio.